As histórias de portas que se fecham, para logo depois se abrir uma janela, facilmente causam sorrisos e trazem esperanças. Sempre foi assim e os mais inteligentes, perspicazes ou minimamente optimistas há muito que o sabem.

Albert Einstein apregoou a 'regra' sem problemas e sem pensar nas probabilidades de excepção. “No meio da dificuldade encontra-se a oportunidade”, disse ele um dia, sem talvez pensar que estava a deixar para a posteridade uma premissa tão importante como aquelas presentes na Lei da Relatividade.

E não é apenas nas dificuldades que se encontram oportunidades para brilhar, recuperar, levantar ou simplesmente dar um passo em frente. Às vezes basta um erro, uma situação menos abonatória, um tropeção, um lapso, uma 'gaffe'...

Foi isso que aconteceu recentemente com a Volkswagen. Num noticiário em que se falava da taxa de IVA a aplicar ao desporto golfe (sim, com 'e' no final), colocaram uma imagem de carro da marca alemã, modelo Golf (sem 'e'). A 'gaffe' suscitou primeiro surpresa ou estranheza e depois muitas gargalhadas ficando para a posteridade em vídeos que percorreram os caminhos infinitos da Internet através de redes sociais como o Facebook.

Noutras 'repúblicas' menos evoluídas ou se fossem lideradas por pessoas pouco inteligentes, a Volkswagen tinha aproveitado o erro da RTP para extorquir uns trocos à custa de processos judiciais e de um erro que só humanos cometem. Mas o que a marca alemã de automóveis acabou por fazer foi mais surpreendente do que qualquer um estava à espera. Poucos dias depois da 'gaffe' já se podiam ver novas publicidades do modelo 'Golf' (sim, o carro), com um adereço especial: a imagem da notícia que tinha passado no noticiário da Televisão pública. “Informamos que continuamos a fazer 23% de IVA nos nossos 'golfes'. Mas podemos oferecer 6% de prazer de condução. Até ao fim deste mês podes ainda receber um taco de golfe e uma bola com o logo VW, na compra de um Volkswagen Golf,” escreveu a empresa provocando sorrisos em todos aqueles que olharam para o anúncio.

Mais do que o aproveitamento para vender mais meia-dúzia de viaturas ou pelo menos para divulgar a marca, desta situação quase cómica vale a pena tirar uma lição valiosa: mesmo no meio de muitas dificuldades, às vezes é no risco que está o ganho. É isso mesmo que têm feito algumas pessoas que têm perdido o emprego ou que se vêem forçados a se reformar cedo demais. Criar empresas, abrir o negócio que sempre sonharam, por em prática ideias inovadoras...As crises, os erros, os tropeções podem servir de trampolim para outros voos. Basta não desistir.