Tenho vindo a assistir, ultimamente, ao relançamento de uma expressão usada há cerca de 20 anos para classificar a juventude. Hoje, vinte anos depois, eis senão que nos deparamos com essa mesma expressão, salvo uma pequena diferença: de "geração rasca" passámos a "geração À rasca".

Mas afinal, somos, ou não somos a geração da sociedade do conhecimento? Das tecnologias de informação? Somos, ou não somos a geração mais bem preparada de sempre, a mais qualificada? Mas a verdade é que todos os dias nos deparamos com a crua realidade: as dificuldades são imensas, seja para encontrar um emprego estável, ter carro próprio, comprar casa, ou até mesmo constituir família. No entanto, estamos plenamente conscientes, enquanto jovens dos desafios que se nos colocam diariamente, e os obstáculos que temos que superar. Mais que isso, estamos conscientes de todo o enredo em que nós, jovens, estamos envolvidos.

E se hoje somos "uma geração à rasca", é porque existe quem nos tenha posto nesta situação. Existem responsáveis. É tempo de os enfrentarmos. É hora de apurar responsabilidades.

A verdade é que somos uma "geração à rasca" porque temos, na Madeira, um "governo rasca".

Temos um "governo rasca" porque não soube, ao longo do tempo, adaptar-se à evolução da sociedade (da informação e do conhecimento) e não evoluiu na sua forma de fazer política.

"Governo rasca" porque teima em esquecer-se dos jovens madeirenses e não apresenta políticas de juventude capazes de ajudar-nos a ultrapassar a conjuntura na qual nos vemos envoltos sem solução à vista.

"Governo rasca" porque não soube apostar no desenvolvimento local e regional, preparar a RAM para acolher as qualificações dos jovens madeirenses e integrá-los no mercado de trabalho.

"Governo rasca" porque ao invés de procurar soluções para os nossos jovens (fazendo usufruto das suas qualificações), exportam inteligência, dizem-lhes que abandonem as suas famílias, a sua terra, se querem um trabalho que se adeqúe à sua formação.

Estamos "à rasca" porque temos um "governo rasca" que hipotecou o nosso presente e continua a hipotecar o nosso futuro. Por tudo isto, chegou a hora de esta juventude, esta "geração à rasca" passar a ser uma "geração da mudança" e deixar este governo regional "à rasca".

Orlando Fernandes, Líder da JS-Madeira