"Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos. Sem memória não existimos e sem responsabilidade talvez não mereçamos existir". José Saramago O mês de Março tem-se revelado um mês de luta, com expressão de rua, contra todos os PEC's que vão sendo impostos com os argumentos do costume e, sob o chapéu da cultura da inevitabilidade. O mês da indignação contra a precariedade laboral, a degradação do poder de compra, a destruição dos serviços públicos. O ano de 2011 começou com o sobrar mês aos salários, com mais impostos e mais descontos. São os sacrifícios que nos impõem à custa de uma crise que o sector financeiro, empresários menos escrupulosos e os partidos do arco do poder criaram! A crise económica em que o país está mergulhado parece servir para tudo justificar. E quando digo tudo leia-se impor, aos mesmos, novos e mais sacrifícios. Cada novo Pacto de Estabilidade e Crescimento, ao arrepio do que o próprio nome sugere, reforça e amplia as injustiças sociais e aprofunda a crise. Quem pode continuar viver assim? E por isso milhares de portugueses, independentemente da sua classe profissional, saíram e saem à rua. Saíram e saem à rua aqueles que trabalham cada vez com menos direitos e aqueles que reclamam, justamente, o direito de trabalhar. Saíram à rua jovens, menos jovens, aposentados. Saíram à rua pais, filhos, netos, sobrinhos. Saíram à rua todas as gerações. Saíram à rua todos os que reclamam uma sociedade mais justa porque mais solidária. Saíram à rua porque pretendem ver alterado o estado das coisas (as relações laborais, as condições de trabalho, o custo de vida); porque entendem que só uma profunda mudança de opções políticas conduzirá ao progresso civilizacional das próprias coisas. Porque sair à rua para exigir um presente melhor é urgente para qualquer cidadão e, por isso, ninguém deve omitir-se de exercer o seu direito mas também o seu dever de cidadania. As mudanças concretas que se exigem ultrapassam, em muito, a mudança de actores. Querer mudanças sem mudar as politicas é uma absoluta impossibilidade. Não se produzem as mudanças necessárias mudando-se apenas o conteúdo semântico das mesmas. Quem detém o poder dita as leis que nos vão asfixiando e o protesto de rua não pode resumir-se ao desabafo inconsequente. Daí o sublinhar da importância dos sindicatos. São estas organizações que podem negociar com os governos as leis que, sucessivamente, nos vão impondo. São estas organizações que através das suas posições reflectem a coerência do que nas ruas se reclama. O movimento sindical desempenha um papel-chave na promoção da justiça social em todas as partes do Mundo e contribui para a melhoria das condições de vida e de trabalho de todos os trabalhadores e suas famílias. Este é um tempo de projectos e causas comuns e são os sindicatos que continuam a perfilhar-se entre as instituições verdadeiramente importantes das sociedades democráticas e desempenham um papel decisivo na construção do futuro, pelo direito ao emprego, por maior mais justiça social, por mais igualdade e pelo devido respeito por quem trabalha. São estas organizações representativas dos trabalhadores que assumem a luta sem hesitações, pois a força reivindicativa persistente resulta da força com que se exige mudanças concretas. É por isso que cada vez mais os sindicatos são necessários e, neste tempo em que vivemos, absolutamente imprescindíveis. É por reconhecerem esta importância, que milhares de pessoas responderam ao apelo dos sindicatos e foram para a rua. Porque sabem que a construção do futuro começa hoje e porque não abdicam do direito e da responsabilidade de o construir. Dia 2 de Abril, voltamos. Desta vez na luta pelo investimento necessário na Educação e na defesa da Escola pública. Marília Azevêdo

"Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos. Sem memória não existimos e sem responsabilidade talvez não mereçamos existir". José Saramago

O mês de Março tem-se revelado um mês de luta, com expressão de rua, contra todos os PEC's que vão sendo impostos com os argumentos do costume e, sob o chapéu da cultura da inevitabilidade.

O mês da indignação contra a precariedade laboral, a degradação do poder de compra, a destruição dos serviços públicos.

O ano de 2011 começou com o sobrar mês aos salários, com mais impostos e mais descontos. São os sacrifícios que nos impõem à custa de uma crise que o sector financeiro, empresários menos escrupulosos e os partidos do arco do poder criaram!

A crise económica em que o país está mergulhado parece servir para tudo justificar. E quando digo tudo leia-se impor, aos mesmos, novos e mais sacrifícios. Cada novo Pacto de Estabilidade e Crescimento, ao arrepio do que o próprio nome sugere, reforça e amplia as injustiças sociais e aprofunda a crise. Quem pode continuar viver assim?

E por isso milhares de portugueses, independentemente da sua classe profissional, saíram e saem à rua. Saíram e saem à rua aqueles que trabalham cada vez com menos direitos e aqueles que reclamam, justamente, o direito de trabalhar. Saíram à rua jovens, menos jovens, aposentados. Saíram à rua pais, filhos, netos, sobrinhos. Saíram à rua todas as gerações. Saíram à rua todos os que reclamam uma sociedade mais justa porque mais solidária.

Saíram à rua porque pretendem ver alterado o estado das coisas (as relações laborais, as condições de trabalho, o custo de vida); porque entendem que só uma profunda mudança de opções políticas conduzirá ao progresso civilizacional das próprias coisas.

Porque sair à rua para exigir um presente melhor é urgente para qualquer cidadão e, por isso, ninguém deve omitir-se de exercer o seu direito mas também o seu dever de cidadania.

As mudanças concretas que se exigem ultrapassam, em muito, a mudança de actores. Querer mudanças sem mudar as politicas é uma absoluta impossibilidade.

Não se produzem as mudanças necessárias mudando-se apenas o conteúdo semântico das mesmas. Quem detém o poder dita as leis que nos vão asfixiando e o protesto de rua não pode resumir-se ao desabafo inconsequente.

Daí o sublinhar da importância dos sindicatos. São estas organizações que podem negociar com os governos as leis que, sucessivamente, nos vão impondo. São estas organizações que através das suas posições reflectem a coerência do que nas ruas se reclama. O movimento sindical desempenha um papel-chave na promoção da justiça social em todas as partes do Mundo e contribui para a melhoria das condições de vida e de trabalho de todos os trabalhadores e suas famílias. Este é um tempo de projectos e causas comuns e são os sindicatos que continuam a perfilhar-se entre as instituições verdadeiramente importantes das sociedades democráticas e desempenham um papel decisivo na construção do futuro, pelo direito ao emprego, por maior mais justiça social, por mais igualdade e pelo devido respeito por quem trabalha.

São estas organizações representativas dos trabalhadores que assumem a luta sem hesitações, pois a força reivindicativa persistente resulta da força com que se exige mudanças concretas.

É por isso que cada vez mais os sindicatos são necessários e, neste tempo em que vivemos, absolutamente imprescindíveis.

É por reconhecerem esta importância, que milhares de pessoas responderam ao apelo dos sindicatos e foram para a rua. Porque sabem que a construção do futuro começa hoje e porque não abdicam do direito e da responsabilidade de o construir.

Dia 2 de Abril, voltamos. Desta vez na luta pelo investimento necessário na Educação e na defesa da Escola pública.

Marília Azevêdo