Março - Mês do Teatro na sua manifestação cultural, artística, educativa e lúdica. Um povo que não ama e não defende o seu teatro necessita de acordar, resumindo frases célebres de Garrett e de Lorca. O Teatro aqui, no nosso pequeno espaço, não está morto, antes pelo contrário, ele fervilha, agita-se e grita por todos os lados querendo ser reconhecido. Necessita de uma atenção muito mais séria do que a de simplesmente ser assistido ou a de ser observado pelos mais variados olhares, que discorrem entre o mais céptico epíteto até ao mais lisonjeiro sorriso. Entre um piscar de olhos, nós, os sobreviventes, num país onde o Fado desventurado perdura obstinadamente, tentamos manter contra ventos e marés, e até assaltos de piratas, uma certa coerência e uma esperança que nos leva a acreditar, artistas e espectadores, que a volta será dada. É por isto que o Teatro ainda não parou. É preciso continuar a dizer bem alto que ainda não desistimos deste prazer que é o de representar. Recordo-me de uma frase que ao longo dos tempos tem ressoado: a crise do Teatro. Esta crise continua, mas mais sinistra que as de antes, balbuciando palavras que se negam umas em cima das outras. Algo de mal se passa no País de Camões, de Vicente, de Garrett, de Pessoa, de Almada, de Bernardo, no País do qual todos fazemos parte. Dia 20 de Março - o teatro amador protegido pelo associativismo dá início aos festejos. Os encontros de teatro começaram este mês pelo Encontro promovido pelo TEC. O Teatro Escolar deu o seu contributo. O movimento que vem do início do ano, promete não parar. Estejam em alerta! Dia 27 de Março - a festa do Teatro, ao mesmo tempo, em todo o mundo. Nem todos os dias são mundiais de Teatro. Neste dia todos os que amam o teatro, todos os que fazem dele a sua segunda casa, estarão em uníssono a pensar no Teatro e no sentido que ele tem tido para a Humanidade - tantos o auscultaram para a governação dos nossos mundos.

Eduardo Luíz, Actor