Sempre que a subserviência prolongada dá lugar a discordâncias geradas pelo desespero; sempre que quem pensa diferente sente necessidade de sair do pântano ideológico; sempre que quem dá conta das verdades incómodas leva a sociedade a vencer o medo; sempre que alguém desperta da anestesia induzida e reclama por direitos perdidos... surge sempre aquele que julga ter o poder inquestionável, absoluto e eterno a dar um ar de amuo básico, típico de menino mimado, jogando à cara dos alegadamente favorecidos que são "devedores de gratidão". Mesmo que alguns sejam dependentes de 33 anos de festas, subsídios, obras e inaugurações, mas também de desleixos, ofensas e ódios, não merecem tamanho desrespeito. São aquilo que quiseram ser. Receberam mas também devem ter dado. Mas há os outros. Muitos. E devem eles estar todos gratos a quem os envergonha, aos irresponsáveis que estoiram milhões de euros públicos em projectos pessoais, aos que investiram em obras sem debate, nem estudos, nem retorno e aos que actuam por provocação? Devem estar gratos aos negligentes e permissivos que em pleno século XXI são cúmplices dos poços descobertos à espera que as crianças se afoguem? Devem estar gratos a quem faz da chantagem uma arma política, do abuso de confiança um modo de vida e da estigmatização dos adversários um trunfo eleitoral? Devem estar gratos aos governantes que se desenrascam com ordenados, reformas, ajudas de custo e outras mordomias, mas cruzam os braços perante os sem emprego, sem pão e quase sem dignidade? Devem estar gratos aos que prometem e não cumprem, aos caloteiros do regime e aos seus sucessores, mesmo que noutros registos partidários? Devem estar gratos a quem declara "guerra" num tempo em que todos precisam de paz? Ironicamente, o sentimento colectivo está retratado numa frase escrita por quem exige gratidão: "É humano nos sentirmos magoados, quando os tempos difíceis exigiam um mínimo de solidariedade". João Freitas, Treinador do CAB Fez das fraquezas forças e trouxe uma Taça para a Região. Um título que quer juntar a outros. Louvável a ambição na ilha dos conformados. Ricardo Gomes, Director da CS Câmara Pestana Deixou um alerta que exige curas responsáveis: a crise está a deixar a saúde mental no limite. Quem manda tem consciência do drama? Carlos Pereira, Presidente do Marítimo Se o Governo está a lesar a instituição a que preside, não basta ser desalinhado. Espera-se que seja consequente e leve o caso à Justiça. Rui Moisés, Presidente da Câmara de Santana As constantes derrocadas no Arco de São Jorge obrigam a que dê a cara junto da população revoltada. Não é culpado mas corre esse risco. Brazão de Castro, Secretário Regional O desemprego bateu novo e angustiante recorde. A reacção foi rápida e hilariante: no final de 2010 , a Madeira até tinha a 2.ª taxa mais baixa.

Ricardo Miguel Oliveira, Director