Seja qual for a situação não é fácil estar a bem com Deus e com o Diabo. No futebol, também, as relações são boas enquanto duram. O caso Kléber, associado à contratação de Djalma, fez deteriorar as relações entre Marítimo e FC do Porto. Ambas as partes dizem defender os seus interesses com um dos lados, o do Marítimo, a acusar o outro de utilizar as pessoas como guardanapos, usa e deita fora. Até pode ser verdade, mas certamente alguém forneceu, ou quis fazer de guardanapo, durante muito tempo. Fornecimento/comportamento que tem uma atenuante resultante da impotência de uma justiça perante indícios que, por serem escutas, "entraram por um ouvido e saíram por outro". Assim, mais vale estar do lado dos indícios até ao dia em que se zangam as comadres. Acredito que este monstro tricéfalo, de corpo esguio, montado numa vassoura de rabos-de-palha, que é o futebol Português, continue a utilizar guardanapos. Há sempre quem queira essa tarefa subserviente, quanto muito, para espicaçar rivalidades insulares. Neste futebol que se queixa de repetições televisivas a mais dos ditos grandes, mas que quando um seu jogador é agredido pelo treinador desse dito, as repetições já não interessam. Mas, infelizmente, parece que vai ser sempre assim. Hoje em dia o que vale são as aparências. Vivendo e mantendo as aparências ninguém vai notar se foi de pé ou de cócoras.

David Sousa - Jornalista