O Serviço Regional de Saúde é a entidade pública que garante aos cidadãos o direito constitucional à protecção e promoção da saúde, assegurando a todos a progressiva melhoria do estado de saúde, contribuindo desta forma para o bem estar e a qualidade de vida. Desde o seu inicio que o SRS assenta a sua essência em duas áreas, os cuidados primários de saúde e os cuidados hospitalares e mais recentemente os cuidados continuados. Para cumprir a sua função o serviço publico de saúde, foi ao longo dos anos se adaptando em termos organizacionais e estruturais, com o objectivo de melhorar as respostas em cuidados de saúde à população. Na década de sessenta os serviços de saúde de então: materno infantil, os serviços médico sociais, os hospitais concelhios e outras modalidades de organização de prestação de cuidados de saúde evoluíram. Nos finais da década de setenta com o estabelecimento da autonomia, criou-se um serviço publico de saúde que se caracterizou pela construção de centros de saúde em toda a região e uma unidade hospitalar onde se congregaram os vários serviços e especialidades médicas. Desde então, tanto a nível dos cuidados primários como nos cuidados hospitalares, as alterações organizacionais e estruturais introduzidas, permitiram melhorar progressivamente a oferta de cuidados e consolidar o direito do cidadão à protecção na saúde, sempre na perspectiva da qualidade e das crescentes necessidades em cuidados de saúde da população. É na senda deste desiderato e tendo em conta a arquitectura actual do serviço regional de saúde, nomeadamente os constrangimentos de funcionamento das unidades hospitalares da região, que fundamenta a necessidade de construir um novo hospital, como uma mais valia para os cidadãos, para o sistema de saúde e para os profissionais com impactos positivos na formação e na investigação. A actual estrutura hospitalar tem problemas estruturais difíceis de resolver, a nível da segurança, do acesso e do funcionamento, não se compaginando com os mais recentes critérios de qualidade, segurança e ergonomia laboral. Ao longo dos últimos anos as obras de melhoria da estrutura existente, reflectiram-se em grandes incómodos para os profissionais e fundamentalmente para os doentes internados. Não corrigiram problemas crónicos tais como, inadequados ambientes de trabalho, exíguos espaços de corredores e enfermarias, atentando contra o atendimento de qualidade, com eficiência e humanidade que deveria ser apanágio dos serviços de saúde. Redimensionar a proposta ora suspensa, ajustando á realidade regional em vez de prolongar as actuais estruturas hospitalares, é a opção mais condigna e eficiente para a região a médio e a longo prazo.

Juan Carvalho