António Freitas Que triste país é este que jurei servir com honra, jurando até com o sacrifício da minha própria vida!?! O mesmo que alberga corruptos e ladrões, assassinos de bons nomes que por nós circulam entre a multidão! Que país este, que além de albergar o "triste sistema", ainda os honra e favorece-os como exemplo perante os olhos do povo, lacrados de dor e de angústia!. Aos olhos do povo que nada mais passa senão o que os mesmos veem, ou o que o seu país lhes permite ver. Que triste país, que sempre teve o seu povo na labuta, sempre o ergueu quando este se encontrava na ruína e agora vira-lhes as costas e o abandona, em busca de interesses que até por acaso nem ao povo interessam. Acredito que até Camões choraria do seu único olho, que vira mais do que nós com ambos! Cegos e corruptos somos nós, da nossa honra, de uma nação de grandes descobrimentos e sonhos realizados! Atualmente, não passamos de meros cobardes, pois nem somos capazes de dizer chega! …Nós ilhéus, nós portugueses, não temos o "carisma", a força, a garra, a convicção de outrora, em que mesmo nas condições mais adversas, soubemos dizer não e seguir em frente até termos descoberto meio mundo! Que triste país é este, que nos obriga a passar fome, a viver na miséria, na penúria, a pedinchar ao vizinho, ao amigo… Que triste país é este, que não nos assegura saúde em pleno, educação, assistência social a quem dela precisa e quando precisa. Que país deixa à mercê de instituições as crianças que sonham ter um pai e uma mãe, mesmo que estes não sejam os que lhes deram a vida, com as suas burocracias, exigências, que cansam quem por elas (as crianças) espera… Que país deixa um ladrão à solta, para manter preso um inocente. Que país destrói para construir, cometendo o mesmo erro. Que país esbanja o que não tem e deixa o povo pagar as "suas" contas com o seu suor. Que triste país não se comove com a revolta, com a tristeza e angústia de um povo que pede ajuda e clemência, de um povo que apenas pede pão… Eu sei, tu sabes e nós sabemos que o triste país em que tudo e nada se passa, chama-se Portugal.