Num tempo em que os recursos financeiros não abundam, os clubes vêm-se forçados a procurar alternativas para possuírem nas suas fileiras atletas com elevado potencial. Acreditamos que a aposta na formação pode ser uma delas. Arriscamos mesmo afirmar que para os clubes de menor dimensão… talvez a única. Para esse efeito, achamos ser de vital importância a criação de um modelo de jogo que oriente todo o processo formativo. Um modelo que deve ser o guião para todo o trabalho a desenvolver nas diferentes idades e escalões. Um modelo que congregue os princípios e sub-principios de um jogar que se queira implementar, que defina mais do que as dinâmicas estruturais, as relações e sobretudo as inter-relações que os atletas deverão estabelecer entre si de modo a conseguir o tal jogar que se pretende. Um modelo não hermético mas passível de ser evoluído, que condicione naturalmente o seu modelo de jogador, permitindo um recrutamento e uma "triagem" com maior segurança e com dados mais sólidos. Um modelo de jogo que tenha acoplado também um modelo de treino, capaz de promover a especificidade que o processo necessita, concedendo lógica à resolução dos problemas que o jogo coloca. Muitas outras razões existem para justificar a implementação de um modelo de jogo que dê sentido ao processo de formação, a partir do qual tudo se irá gerir, organizar, desenvolver, criar. Contudo, talvez antes de tudo isso, seja necessário mudar algumas mentalidades para as quais tudo isto é mera perda de tempo. Assim sendo… Ui! Muita coisa ainda há a fazer!

Paulo Fernandes, Treinador