Todos nós somos talentosos e criativos e temos algo importante e único para transmitir. Por vezes não encontramos a melhor ferramenta de expressão e deixamos que as rotinas do dia-a-dia sufoquem esta necessidade. Sobrepomos outras necessidades aos prazeres da escrita ou da pintura: formas de colocar no papel aquilo que nos é intrínseco e identitário.

No meu caso, é através da Banda Desenhada que encontro esse espaço de emancipação. Acredito que é mais do que um simples meio de expressão, mais do que um meio de comunicação. Gosto de BD desde sempre: ainda antes de saber ler sentia-me eufórico por perceber as sequências de imagens e por desenhar, criar e (re)escrever o mundo à minha maneira!

O leitor de BD nunca é um leitor passivo - tem que "ler" as imagens da mesma forma que lê o texto porque é a combinação dos dois que torna esta arte única. A narrativa continua nos espaços entre as vinhetas, o leitor tem um maior controlo do fluxo da história, muito mais do que quando vê um filme.

Por vezes, a BD é vista como uma forma de "cultura inferior" - por isso, muitos autores que cultivam as possibilidades expressivas desta arte (como Will Eisner ou David Lloyd) chamam-lhe "Arte Sequencial", porque isto é muito mais do que literatura infantil. Em muitos casos é uma expressão clara de uma cultura popular e aqui reside muito do que hoje se designa por alternativas ou "outros" espaços de emancipação cultural e social.

É tudo isto que iremos celebrar de 25 a 27 de Março na Casa das Mudas.

Roberto Macedo Alves - Desenhador de BD