Apesar de pessoalmente defender a unidade da acção política a nível regional para promover uma alternância de poder na Região por forma a proporcionar ao eleitorado uma comparação entre diferentes políticas e práticas de governação, apoiei a nível interno uma Moção diversa da do presidente do PS Madeira para o Congresso Nacional. Não que ponha em causa a pessoa nem a sua qualidade de líder regional apenas ponderei a sua opção por um processo que face ás «regras de jogo» predefinidas o obriga a candidatar-se a Secretário-Geral e a opor-se á política do PS nacional e do seu Governo. Porque, o que é prioritário na presente conjuntura política madeirense, é a oposição consistente e responsável a um Governo que ignora e enxovalha essa mesma oposição e se crê eleito para todo o sempre por considerar-se o único competente e capaz. Nem estatisticamente tal constatação é aceitável mas compreende-se que não é difícil baralhar o eleitorado quando se culpa Lisboa por tudo o que de mau acontece na governação nacional e regional e se contabiliza a favor tudo o que de bom pode advir para a vida da Região (equipamentos sociais) e das pessoas (o seu nível de vida). Ou seja, não há novo Hospital porque o Governo da República não deu o dinheiro necessário mas há campo do Marítimo porque o Governo Regional assegura o seu financiamento. Como não alinho neste discurso e nesta táctica política também não quero que o PS Madeira enverede numa atitude semelhante, a de criticar o PS e o seu Governo para afirmar-se a nível regional e assim competir (pensam alguns) «taco a taco» com o PSD para as eleições regionais. Tenho um outro sentido da política e da vida e por isso acredito que, embora partilhe do mal-estar dos dirigentes regionais do PS relativamente á deficiente articulação com as políticas e actos do Governo nacional, é possível dar expressão concreta ás posições sobre a matéria já assumidas por dirigentes regionais em Congressos anteriores, através de Moções de orientação global ou sectoriais, valorizadoras da Autonomia e da Democracia. Não é batendo o pé, como o faz o Governo Regional, com razão ou sem a mesma, mas dialogando e mostrando a justeza das nossas posições que podemos ganhar a confiança e credibilidade de quem nos deve ouvir e respeitar. Há um mar que nos separa, é verdade, mas a nossa vontade não, por isso, tal como a felicidade, a solidariedade conquista-se, não se impõe pela força nem por decreto. Será que a Madeira pode viver sem ela?
Nuno Jardim Fernandes - Gestor