
'Os melhores', não estão na política, não estão nas empresas, não estão na gestão, não estão nos palcos, não estão nas estantes livrarias, não estão no jornalismo, não estão em lado nenhum. Segundo os próprios - e segundo outros 'melhores' que também os consideram 'melhores' - estão bloqueados por medíocres e gente sem valor. Basicamente, pela esmagadora maioria de quem exerce funções, seja onde for, independentemente do nível de responsabilidade. São 'piores' por decreto e fim de conversa.
Esta parece ser a ideia que veio para ficar. É preciso afastar-se e dar lugar aos 'melhores', mesmo que nunca tenham provado nada e apenas tenham recebido esse título por imposição divina, fruto de um brilhante estudo científico sobre o sexo das baratas ou algo semelhante, porque são jovens ou, apenas, porque sim.
A política, como sempre, é o espaço onde parece haver menos 'melhores'. Segundo uma teoria neoliberal, que vende bem entre todos aqueles que adoram ouvir o som da sua voz em conversas de café, toda esta classe política, da extrema esquerda à extrema direita, é incapaz, culpada de tudo e mais alguma coisa, culpada dos insucessos de todos, da falta de empregos, até da falta de competência dos 'melhores'. Até devem ter culpa da neve que deixou muitos imprudentes presos na serra. Basicamente, como ficou claro antes da manifestação da 'geração à rasca', devem sair. Só não explicam quais são os 'melhores' que vão entrar.
Melhor, sem aspas, é aquele que arrisca, dá um passo em frente e não espera que o venham chamar, levar ao colo ou coroar. Melhor é quem não tem medo de errar. Melhor é também quem vai a eleições, ganha e perde, acerta e falha. Bem melhor do que os 'melhores' que ficam no ‘quentinho’ dos comentários de televisão, dos blogs pretensiosos ou das redes sociais.