Portugal vive um período particularmente difícil. Os registos de insatisfação e de contestação, em especial à classe política, reflectem que o País e o actual sistema político estão esgotados. É inevitável uma viragem, um novo ciclo, um novo sistema de organização nacional. Portugal é hoje um país injusto, desequilibrado financeiramente, desorganizado e moralmente desanimado. Injusto, porque não propende para uma sociedade de oportunidades e de autonomia, quer para aqueles que dão os primeiros passos na sua vida, quer para os que dedicaram uma vida a trabalhar e a cumprir as suas obrigações. Desequilibrado financeiramente, com a agravante de não se conhecer a verdadeira dimensão do défice público. São sinais alarmantes o défice externo, o desemprego e a perda de competitividade. Um País desorganizado, sem uma radiografia transparente. Vive-se em modo "stand by", numa encruzilhada de avanços e recuos. Moralmente desanimado, porque a situação financeira implica irremediáveis consequências sociais, sem justificação plausível, e que, no plano pessoal, colocam as famílias sem quaisquer esperanças a curto e médio prazo. O diagnóstico está feito, os sinais são visíveis. É inevitável uma revolução pacífica que agarre os novos ideais e os fins adequadas às novas realidades. É crucial que se aposte no potencial humano, que se incentive à competitividade e que se desafie, verdadeiramente, a dinamização económica. Em termos políticos está em causa a autoridade do Estado, pela falta de seriedade e de verdade na acção, pelo que, há apenas uma resposta possível: a regeneração de activos destrutivos da realidade pública. São necessários mecanismos políticos que fomentem a subsidiariedade como forma mais autêntica de resolver os problemas dos cidadãos. Por todas as razões enunciadas, são necessárias reformas estruturais na justiça, na administração pública, no sistema político e são, particularmente necessárias novas leis, ágeis e signatárias do desenvolvimento de um Novo Portugal.
António Ascenção da Trindade - Licenciado em Ciência Política