Manuel João Baptista Rosa É óbvio que um dos principais culpados pela situação da "geração à rasca" é o nosso sistema de ensino, pois os jovens que estão nessa situação são quase todos licenciados pelas nossas universidades. As gerações actuais não têm à sua disposição um Ensino Profissional Público que os prepare de forma diferente para o mercado de trabalho, como exigem os empresários. A Suíça que tem os dois ramos de ensino, universitário e profissional, com igual dignidade, orgulha-se de ter uma rápida e elevada colocação da sua juventude no mercado de trabalho. A culpa não é das nossas universidades mas dos sucessivos governos pós-25 de Abril, que destruíram o Ensino Profissional existente até então. Os jovens oriundos das Escolas Técnicas desse tempo foram absorvidos pelo mercado de trabalho, com relativa facilidade. O Ensino deve ser definido, não pelos políticos a quem compete apenas tomar a decisão, mas pelos agentes económicos pois a Escola tem de estar ao serviço da economia e não ao serviço dos seus próprios interesses. Se os políticos e os professores inter-agissem com o mundo da economia já há muito que teriam arrepiado caminho e talvez não tivéssemos uma "geração à rasca". O problema é que o Sistema de Ensino vive fechado sobre si próprio, incapaz de perceber que a sua função principal é preparar os jovens para o mercado empresarial, porque só assim estará a servir o interesse do país ou seja das famílias, dos jovens, dos empresários e dos próprios professores. Não vejo estes últimos e respectivas associações debaterem o Ensino nesta óptica, a única que pode garantir a sustentabilidade e a estabilidade do sistema. Quanto à "geração à rasca" sugiro uma solução: que o Estado financie, na totalidade, pós-graduações e ou mestrados com estágios integrados e remunerados, a todos os jovens nessa situação. Haverá dinheiro para o efeito se existir vontade política de se acabar com os desperdícios na administração pública e com os investimentos sem qualquer utilidade. Seria uma questão de justiça em relação às famílias e aos jovens, cujo País os arrastou para esta situação. Concordo com aqueles que defendem a introdução da vertente empreendedorismo no Ensino, pois os jovens devem ser preparados para terem iniciativa empresarial própria.