O discurso, em carne e osso, de tomada de posse do nosso Presidente da República, foi mal entendido, como se tivesse sido escrito num teclanso “facebookiano” que muitos males entendidos provoca. Vai daí: toca a escrever no "face" um esclarecimento do que afinal queria dizer. Uma espécie de legendagem em deferido. Uma tradução, uma tese. E tudo melhorou com o "sobressalto" dos enroscados filhos, pais dos filhos e avós dos filhos. Ao sobressaltado gemido de povo unido parece faltar a força das águas e um cartaz: não à manifestação, sim à desinfestação. Sabemos que ser filho é a melhor profissão do mundo, mas até os empresários pais já não aguentam com as taxas acrescentadas que o morcego governo lhes quer sugar até ao tutano. João França não poderia lançar melhor repto, na sua peça de 1978, O Emigrante: porque é que o governo não emigra para a América? Podia voltar rico! Não podia?! Faltam apenas as legendas que gostaria de transmitir a Trichet, presidente do banco central europeu, que gostava de conhecer, com Constâncio, vice, longe da minha vista a se ir. Este é um tempo rolante e a galp gala-me. Tenho a cabeça cheia de sangue. Alcunharam-me, rasca, à rasca, desenrasca, parvo e deolindo por constatar que não me deixam, sequer, borbulhar. Que ganso tanso que eu sou por não me demitir de chapinhar. Que geração nos gerou? No passeio, respeitava o sinal vermelho, e vi um amigo a meu lado. Não o encontrava há muito e fui dar-lhe aquele abraço. Ele estava alheado e desistiu de tal a meio acto, talvez zangado, por estar chateado com um outro amigo meu, pensei. Fiquei sem resposta, mas entendi que seria por falta de força. Por desânimo com este cenário em que existimos. Senti-me, reduzi-me a peão e atirei-me às listras brancas que voam: vou-me abraçar a quem? Aos impostos, tudo bem; não sem antes dizer, num branco tapete voador, que não sou canga e depois me imolar em pira.
Élvio Camacho, Actor