A Saúde é um estado de equilíbrio e não a mera ausência de doença, tal como é reconhecido pela OMS. Ora o Desporto é um poderoso meio para desenvolver as capacidades e competências que permitirão que cada indivíduo seja capaz de gerir equilíbrios, desde que, por exemplo, desenvolva a capacidade de montar estratégias, de ler os contextos, de tomar decisões adequadas a cada situação, de conhecer-se melhor a si mesmo e aos outros, etc. Desta forma não se compreende, ou talvez se compreenda …, como é que alguns "especialistas" e responsáveis políticos associam fundamentalmente o Desporto e a Actividade Física a uma vertente essencialmente "fisiológica", nomeadamente enfatizando a "perda de calorias", os benefícios cardio-respiratórios, osteo-articulares, e afins. Não se trata de negar as evidencias científicas que apontam no sentido desses benefícios (embora não se deva esquecer que o conhecimento só é científico se for passível de refutação, em ciência não há certezas…), mas sim de alertar que não se mudam comportamentos de forma duradoura, pela simples informação, mesmo que ela seja baseada no medo, na imposição dos denominados estilos de vida saudáveis, "aconselhado" de forma massificada e estereotipada a que se ande x minutos por dia, que se leve o cão a passear e despeje o lixo, que se utilize as escadas, que se vá ao ginásio … É necessário que se perceba que o Homem não é um conjunto de músculos e de órgãos que devem ser solicitados para que se tenha Saúde. Para que se induzam comportamentos duradouros, numa sociedade em que existe livre arbítrio, é necessário ter um sentido pedagógico e não fundamentalista, acusatório e discriminatório de quem não está em sintonia com os "conselhos dominantes". Caricaturando diria que talvez seja preferível um "obeso feliz" a um "magricela deprimido". Haja equilíbrio, haja Saúde, faça Desporto (do bom).
Hélder Lopes, Professor Universitário