O título deste artigo de opinião cita o título do artigo de Bernardo Trindade na passada sexta-feira. Isto porque naquele o seu autor, inequívoco apoiante de Jacinto Serrão, parece desejar falar do PS mas mistura turismo com política interna socialista, o que é à partida um pouco surrealista. Porém é completamente compreensível que Trindade dedique três quartos do artigo a tudo menos ao PS. Isto porque está impelido a ter de, obrigatoriamente, apoiar José Sócrates e de inclusivamente ter de dar a cara por ele na campanha interna na Madeira. É membro do seu Governo e naturalmente que não está disposto a demitir-se! Por outro lado, tem o incómodo de ver o líder do PS Madeira a concorrer contra Sócrates, ficando na difícil situação de "trair" ou os seus camaradas regionais ou os nacionais! "Trair" pode parecer forte mas, sendo a primeira vez que se constata um desalinhamento de posição entre Serrão e Trindade, o termo é perfeitamente adequado: o problema é que Trindade não quer hipotecar as suas possibilidades nacionais e regionais ao mesmo tempo! Vulgarmente é o "estar bem com todos"! Resta saber se nas eleições directas Sócrates ganha na Madeira ou Serrão ganha na Madeira. Como é evidente, embora Serrão finja que a sua candidatura não é contra Sócrates, no boletim de voto as opções serão exclusivas: os socialistas apenas poderão votar num Secretário-geral! Se por anedótica fatalidade Jacinto Serrão fosse eleito, será que o veríamos a marcar uma conferência de imprensa para pedir desculpas e devolver o poder a Sócrates? Afinal é tudo uma questão de luta pelo poder interno e pelos lugares das Regionais de Outubro! Na verdade "O Momento é sério!" Será que Portugal precisa deste PS oportunista?
Medeiros Gaspar, Deputado do PSD-M