A Madeira entendeu que o seu desenvolvimento assenta na afirmação do processo autonómico. A medir pelo desempenho de outras regiões localizadas por esse mundo fora, fez bem, pois exemplos de sucesso não faltam. A conquista desta condição tem constituído, como todos testemunhamos, um processo de desgaste permanente, assente numa revindicação atenta e incessante, o que revela, no mínimo, a postura das partes envolvidas. A Madeira revê na autonomia a solução e o país reconhece mas, incrível e inevitavelmente, não facilita. Somente ao fim de muitos, muitos anos, a Madeira conseguiu esse reconhecimento através da aprovação do seu Estatuto Político Administrativo. Mas num pais onde a lei não significa o cumprimento da mesma, esse foi só mais um passo numa caminhada que mais depende da vontade (político-partidária) dos governos da República do que dos princípios assumidos e aprovados pelos representantes de todo o povo português. São múltiplos os atropelos às disposições consagradas, permanente o desrespeito às competências conferidas aos Órgãos Regionais, frequentes as traições institucionais, mesmo em matérias de interesse comum, e constantes os incumprimentos financeiros, resultando no insólito da dívida do país à Região. Todas situações que bem relevam como o pais entende as suas Regiões e como lida com um modelo que aparenta, hipocritamente, subscrever. Não restam dúvidas que Portugal relaciona-se mal com as suas Autonomias e, com isso, condiciona o avanço de um processo de desenvolvimento que só encontra concretização em algumas, importantes mas perfeitamente incapazes, expressões do pleno que se pretende. A Madeira goza de uma Autonomia limitada que serve para o pais referir que existe mas que não permite a concretização dos propósitos da sua existência, nem se revela suficiente de garantir a escolha do caminho do progresso desta Região. Ainda assim, esgotando o espaço que a autonomia nos permite, a Madeira tem provado a utilidade da mesma, revelando o interesse desta opção e forçando o país a uma evidência nem sempre bem acolhida. Esta autonomia não deixa espaço à concretização de decisões de natureza estratégica de posicionamento internacional ao nível da competitividade da Região, em domínios em que esta tem potencial reconhecido. É, no mínimo, hilariante que Portugal tenha essa consciência e que viva bem no prazer da agonia que nos proporciona permanentemente. O futuro da Madeira passa, inevitavelmente, pela afirmação da sua condição autonómica e deve ser este o compromisso, primeiro, a assumir, sabendo que a sustentabilidade social e económica deste território estará sempre condicionada ao sucesso dessa liberdade.

Eduardo Jesus, Economista