Na posse para o mandato em que nada tem a perder, Cavaco Silva recorreu aos seus 'poderes de rainha de Inglaterra' para alertar que "há limites para os sacrifícios" impostos pelo governo; é óbvio que a chamada de atenção presidencial teria tido outro impacto há seis meses, quando ainda não tinha garantido um segundo mandato, e se não soasse agora a mais uma desforra política com que se entretêm os políticos. Com a maior desfaçatez do mundo, o Governo da República impôs ao povo português mais um rápido e sorrateiro agravamento de sacrifícios. Repete-se a história das exigências da União Europeia, e daquela coisa dos "mercados", e esconde-se que se trata, simplesmente, de pagar com suor e lágrimas as patifarias da nossa classe política, a que o sistema judicial continua a fechar os olhos. Na ressaca do recuo do Governo Regional na construção do novo hospital, o Sindicato dos Enfermeiros da Madeira revelou que, no início do processo, sugeriu a ampliação do actual hospital para o lado da Escola Horácio Bento de Gouveia; uma proposta feita antes das obras no dito estabelecimento escolar. Nos últimos dias, perante o crescendo de simpatia em torno da revolta da 'geração à rasca', o fenómeno tornou-se intergeracional e subiu de cotação. Resultado: os políticos, da CDU à JSD, colaram-se à iniciativa e estragaram tudo. E a manifestação não passou daquilo. Os quatro factos enumerados, todos da semana finda, não são boas notícias nem contribuem para sairmos desta depressão colectiva em que vivemos. Cingindo-nos à esfera regional, constatamos com tristeza que tudo resulta da incompetência, e também desonestidade, de alguns dos nossos representantes. Atentemos no caso do hospital, que é proporcionalmente igual ao do estádio do Marítimo: há muitos anos foram colocadas em cima da mesa as soluções que agora são adoptadas. Não foram apenas anos perdidos, com eles esfumaram-se também muitos milhões. Que foram parar a alguns bolsos, em expropriações, em estudos, em projectos megalómanos e sabe-se lá que mais. Isto, do hospital, do estádio e de outras patifarias, não é ficção. São irresponsabilidades que todos teremos de pagar. E como costumamos ter memória curta, e ainda nem estamos 'à rasca' - a avaliar pelo fraco protesto de ontem - pagamos, calamos e ainda batemos palmas às tiradas desavergonhadas. Nuno Teixeira, Eurodeputado do PSD Madeira No DIÁRIO desferiu uma incisiva e oportuna crítica ao desleixo de Lisboa, que tem atrasado as verbas de Bruxelas para a Madeira. José Manuel Rodrigues, Presidente do CDS-PP Madeira É uma entrada prometedora em ano eleitoral. Com a desconfiança e oscilações que vão por aí, conseguir 100 novos militantes é obra! Henrique Costa Neves, Vereador PSD - câmara do Funchal Sem gritos nem espalhafato, explicou e reforçou o que pensa sobre algumas opções governativas. Mais não se lhe pode pedir. Arlindo Gomes, Presidente de câmara (C.Lobos) Insurgiu-se contra a política de promoção turística que zela pelo Funchal, como se o resto fosse apenas paisagem. Bastante oportuno. José Pedro Pereira, Líder da JSD-Madeira Teve o mérito partidário de 'esvaziar' o protesto da 'geração à rasca'. Mas as 'jotas' não deviam notabilizar-se por fazer fretes aos séniores...

Agostinho Silva, Subdirector