Sérgio Vasconcelos Quaresma Se comparássemos o Funchal a uma cara, o aterro seriam as barbas hirsutas e sujas de uma fisionomia que já viu melhores dias. Porque a cidade não merece as mazelas que tem, sugere-se a aplicação de creme anti-borbulhas nos seguintes locais: - Rua das Fontes, cuja "vagrantização" avança a passos largos, com uma profusão de toldos, decks, cadeirame variado, barrotes de madeira, que desmerece e apouca o monumento vizinho. Só falta mesmo o poço com peixes mortos em redor do "castelo" de São Lourenço, para ficar igual ao outro da beira-mar. - Numa cota ligeiramente acima, com vista para o mar, encontram-se uma espécie de frigoríficos brancos deitados no chão, que para além de venderem salsichas e pão, perfumam toda a avenida; - Do lado de cima do pobre "castelo" de São Lourenço, um mastodonte de alumínio e cristais líquidos que debita imagens dignas da programação da TV regional em 1978 - campeonatos de ginástica de há três anos atrás, fotos absurdas de animais, etc.; - Bem defronte do cais da cidade, sob a bandeira francesa que saúda os nossos visitantes (?!?),as esplanadas aparafusadas ao chão das duas tabernas de fast food ali existentes, recebem os visitantes que saem da passadeira, obrigando-os a serpentear por entre as cadeiras, sobre permanentes manchas de gordura, para conseguirem penetrar na cidade ou chegar aos táxis; - O Funchal está pejado de prumos de ferro sobre os passeios, diminuindo a beleza das ruas e praças calcetadas, mas imprescindíveis para evitar que os selvagens dos cidadãos invadam a cidade até às paredes; - Os passeios da Estrada Monumental, entre a ponte do Ribeiro Seco e a rotunda do indizível senhor pendurado, há décadas que estão calcetados com uns horríveis blocos de cimento, cor de borra de vinho desbotada, quando toda a gente sabe que uma das artes que os portugueses deram ao mundo foi a calçada artística. Que pena! Agora esperam-se mais contributos de funchalenses atentos para identificar a borbulhagem que para aí anda!