Começo esta crónica por felicitar a edição da BTL 2011 - mais 13% de visitantes, o dobro dos compradores internacionais e mais empresas. Reflexo da decisão acertada na mudança de data. Simultaneamente, confirmou-se a expectativa que existia há já um par de meses: 2010 como o melhor ano turístico de sempre em Portugal. O turismo reforçou a sua posição de actividade líder nas exportações no nosso país - 14% do total e 43% nos serviços - contribuindo com 7,6 mil milhões de euros de receitas, e 4,65 mil milhões de saldo positivo na nossa balança comercial. Estes números reflectem o carácter estratégico do sector num quadro de recuperação da economia portuguesa, mas, exigem, simultaneamente, responsabilidade a todos os que desenvolvem actividade no turismo. Portugal está hoje confrontado com vários tipos de ameaças resultado da grave crise internacional. Fortemente atacados no plano externo pelo apetite voraz dos mercados internacionais, o governo foi obrigado a tomar medidas difíceis, nada eleitoralistas, mas essenciais para restaurar a confiança na nossa economia e garantir, concomitantemente, o não desmantelamento do estado social. Estas medidas podiam ter sido atenuadas na Madeira se o governo PSD tivesse simplesmente usado os poderes dos órgãos de governo próprio. Os açorianos fizeram-no. Tal como no período 2005 - 2008, onde o Governo equilibrou as contas públicas como nunca outro Governo foi capaz de fazer em democracia, cumprir-se-á agora idêntico objectivo, melhorando as condições de financiamento da economia, apoiando o crescimento económico e a criação de emprego, reduzindo o desequilíbrio externo e continuando a promover reformas para a competitividade da nossa economia. Perante este quadro, o que fazem as oposições? Revelando uma ausência total de sentido de Estado, divertem-se com a apresentação de moções de censura ao governo ou acenam desesperadamente pela chegada do FMI. Posições irresponsáveis que nada de novo trazem à nossa vida colectiva. Nunca como agora foi necessária uma moção de confiança do PS ao seu partido, ao seu governo e ao seu secretário-geral reflectindo um partido coeso em torno de uma estratégia. A solidariedade dos militantes do PS tem tanta importância no Minho, no Algarve ou nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores. Desenganem-se portanto aqueles que fragilizando o PS afirmam uma outra estratégia. Desenganem-se os que afirmam a existência de dois Partidos Socialistas. O PS é o grande partido da democracia e da autonomia. Não é a política de circunstância quem o afirma, é a história. Os tempos não são fáceis, mas é precisamente agora que é exigida essa solidariedade. Com um PS mais forte, sairá mais forte a defesa de uma autonomia ao serviço dos cidadãos.
Bernardo Trindade, Sec. Estado do Turismo