Numa ocasião em que há perspectivas da Madeira ter uma maior procura por parte de diversos mercados geradores de turistas, nacional e estrangeiro, chegam-nos notícias de alguns constrangimentos no transporte aéreo. É verdade que foram anunciadas novas operações ‘charters’ por parte de operadores turísticos, mas no segmento dos voos regulares há ameaças de que a oferta poderá diminuir, face ao corte de alguns voos das companhias que tradicionalmente voam para a Madeira e ao facto da Easyjet, que desde há três anos tem trazido milhares de turistas britânicos para a nossa ilha, pretender rever os contratos, com a exigência de nas linhas de Londres e de Bristol querer quantias (a título de incentivos ou de promoção das rotas) muito superiores àquelas que lhe foram atribuídas nos contratos assinados no início das operações. Segundo sabemos as exigências estão fora dos orçamentos regionais e, até nacionais, para este tipo de voos. Por outro lado, quer a TAP, quer a SATA, perante a concorrência bastante grande das companhias denominadas de baixo custo, já prevêem cortar algumas frequências depois do Verão, o que deixará as linhas da Madeira com menos oferta de lugares, o que se reflectirá, não só na quantidade, como também no preço. Uma das rotas afectadas poderá ser a de Lisboa, afectando não só o tráfego nacional, como as ligações com outras cidades europeias de onde partem muitos dos turistas individuais e de grupos que chegam ao arquipélago. Pelos dados que temos, e que nos foram indicados por alguns agentes de viagens, podemos estar perante uma situação muito desagradável, se a Região não conseguir até lá assegurar o mesmo ritmo de frequências e de disponibilidade de transporte aéreo. Uma má notícia para o turismo e para os madeirenses que têm de viajar para o exterior. A situação agravar-se-á num cenário de privatização da TAP, cujos novos accionistas poderão optar por outros mercados, com melhor valor tarifário para a companhia, quando confrontada com a grande concorrência que hoje existe na rota da Madeira e que obrigou a uma quebra muito importante das suas receitas. Como a Região não tem uma companhia aérea é necessário atenção a esta questão, procurando uma negociação equilibrada com os parceiros do transporte aéreo de forma a assegurar o mesmo fluxo de voos e a garantir o transporte daqueles que pretendem viajar de e para a Madeira. As notícias que nos chegam apontam para o corte de vários voos da TAP na rota de Lisboa e à saída da SATA da rota, face às quebras de ocupação nos seus dois voos diários que são feitos em ‘code-share’ com a transportadora de bandeira. Nos últimos meses ambas as companhias cancelaram muitas dezenas de voos nesta rota e as perspectivas de redução do tráfego e a deslocação de aviões para outras rotas em crescimento na Europa e na África ameaçam a Região de ficar dependente da boa-vontade dos decisores das duas companhias nacionais. A discussão que sempre acontece à volta das ligações aéreas deve ter em conta que as companhias aéreas procuram rotas de maior valor acrescentado e que o mercado é muito competitivo. O que a Madeira não pode ficar é à mercê de critérios puramente economicistas. O mercado está aberto e numa economia de escala é normal que a oferta e a procura se avaliem pelos números que esse tráfego gera. O que não podemos é ficar à espera de terceiros para resolver os nossos problemas. É, por isso, urgente, que a Madeira tenha acordos preferenciais com uma ou mais companhias que nos garantam o transporte, de forma eficaz, segura e permanente. E a um preço razoável, face à concorrência internacional.