Terminou a 83ª edição dos Óscar, uma das mais fracas cerimónias de sempre. Quando assim é, sem altas expectativas, sem elevado nível das nomeações (salvo uma ou outra excepção) e sem o registo de surpresas; o discurso limita-se ao vencedor do maior numero de estatuetas - o filme rei da noite.

Assim, o grande vencedor acabou por ser uma “fita” com cara de telefilme, mas com o condão de ter sabido agarrar o pormenor histórico do Rei George VI sofrer de gaguez e perturbações oratórias, aquando a sua subida ao trono e, com apenas este condimento, realizar um filme muito interessante. Das 12 nomeações, o rei da noite ganhou apenas 4, mas todas elas nas principais categorias. Colin Firth parece-me merecer o Óscar para Melhor Actor. Esta vitoria ganha mais sentido de justiça se pensarmos que Firth foi um dos grandes “perdedores” da edição do ano passado. No entanto, a “meia” surpresa esteve com Tom Hooper, o jovem realizador que com apenas três longas-metragens e uma nomeação no seu currículo, consegue “derrotar” a grande concorrência formada por David Fincher, Darren Aronofsky, David O Russel e os irmãos Coen. Ainda há novos génios na realização? Parece que sim!

No entanto, estou em crer que “O Discurso do Rei”, não é merecedor da distinção que a Academia lhe outorgou como Melhor Filme e enquanto “obra cinematográfica”, não deixa grandes marcas nas emoções espirituais e intelectuais do espectador. Que dizer de “Black Swan”, “A Origem” e “True Grit” e que também estavam por lá...? Mas esta premiação inter-pares é assim mesmo! E que injustiça para Clint Eastwood, que à beira dos 81 anos viu o seu “Hereafter - Outra Vida”, um dos últimos filmes mais modernos dos EUA, totalmente arredado desta competição.

No feminino, Natalie Portman é a indiscutível e justa vencedora na categoria de Melhor Actriz, tal o potentado da sua “dupla” actuação no denso drama mas absolutamente cinematográfico, “Cisne Negro”.

Breve referencia para o Melhor Filme em Língua Estrangeira – a minha categoria preferida! Aqui, o Óscar foi, pela 3ª vez para a Dinamarca; depois de “A Festa de Babette” e “Pelle, O Conquistador”, chegou a vez de “In a Better World”. Preconceito, intolerância e falta de comunicação são o sustento do filme que tem como semente a violência! Embora sem estreia marcada para as nossas salas, pede-se a sua atenção pois será com certeza um filme a não perder.

Para além da distribuição das estatuetas, à excepção do Óscar Honorário, infelizmente retirado desta cerimónia o ano passado, os principais momentos de maior prazer deste espectáculo, foram as participações de Kirk Douglas, uma das raras lendas vivas de Hollywood e que aos 94 anos subiu ao palco do Kodak Theatre para a primeira ovação da noite. Elogiou a beleza de Anne Hathaway e anunciou o prémio para a Melhor Actriz Secundária. Outra agradável surpresa foi o “regresso” a este palco do incomparável Billy Crystal.

Henrique TeixeiraDirector do Festival Internacional de Cinema do Funchal