Um 'cordão sanitário' que se traduziu num 'flop', com escassas pessoas à volta do aterro. Foi assim que o presidente do Governo Regional se referiu, na sua página diária no jornal pago por todos nós, ao cordão humano. Humano, porque eram pessoas que estavam lá e que merecem respeito. Um cordão que a 20 de Fevereiro recordou as vítimas das tragédia e manifestou uma posição em relação ao que se pretende fazer naquela local.

Não sei, exactamente, quantos eram, mas também sei fazer contas e não eram 'meia dúzia'. Eram muitas dúzias, bem mais de dois mil. E é verdade, também havia crianças.

O presidente do Governo Regional também diz - ou disseram-lhe... - que havia mais gente a ver, na Avenida do Mar e no Cais, do que no cordão. Só não diz que muitos dos que estavam a ver se juntaram à manifestação, aplaudiram e, imagine-se, gritaram. E nem eram todos comunistas...

Ao contrário do que afirma o presidente do Governo, o jornalismo não se confunde com partidos, deve limitar-se a relatar o que acontece. Mesmo que a realidade não seja a que mais agrada aos ouvidos de quem manda, nem seja igual às mentiras que lhe são sopradas por oportunistas que apenas pretendem manter lugares e mordomias.

O cordão teve pouco de partidário, muito pouco. Acredito que uma grande percentagem dos que lá estavam até devem votar no PSD. Por isso, até em função de uma estratégia eleitoral, parece pouco inteligente negligenciar estas opiniões.

A teoria 'quem não é comigo é contra mim', embora com raízes bíblicas, é do mais estúpido que já se produziu. Repeti-la ainda é mais ridículo. Sobretudo quando parece que o tabu do protesto, o medo de falar, começa a desaparecer.