Na recente I Conferência Internacional de Turismo em Lisboa, o Secretário-Geral da Organização Mundial de Turismo chamava a atenção aos destinos que se consideravam (e publicitavam tal facto) com grandes oportunidades de recuperação turística, fruto da insegurança no leste da bacia do mediterrâneo. Mencionou que exemplos anteriores revelaram que, após os acontecimentos, e com fortes reduções de preços, aqueles destinos sofredores, tinham conseguido atenuar a debandada de turistas, frustrando desta forma as expectativas dos Países que esperavam por esta oportunidade para facilmente repor a sua "balança turística". Na realidade, nesta semana, vários Operadores ".com" ingleses já referem o Egipto com líder de vendas, a preços que reflectem descontos para o Verão, superiores a 50%.

O que não disse o Secretário-Geral da OMT é que em Países como o Egipto ou a Tunísia, a situação futura nunca mais será como dantes. Ou enfrentarão um fundamentalismo islâmico, não compatível com uma vivência turística, ou optarão por uma via democrática. E aí as regras do jogo passarão a ser diferentes. Aqueles destinos que assentavam nos salários de miséria, um dos pilares da sua competitividade e dos seus inatingíveis preços por parte dos seus concorrentes, terão de se submeter a novas regras. Faço votos para que os resultados da instabilidade vivida naqueles Países possa terminar cedo, atingindo não só uma nova experiência democrática, mas também um novo posicionamento, mais próximo das realidades europeias ocidentais.

Mas o título deste meu "escrito" deve-se a uma observação feita pelo Vice-Presidente da TAP, Luis Mor, aliás já abordada em tempos pelo Presidente da Ryanair. Na realidade, o Mundo vive tempos em que os destinos para angariarem mais mercado, têm "comissionado"(o termo é meu) os transportadores, para captar mais clientes. Os mais puristas chocam-se, mas, sem pretender fazer aqui um juizo de valor acerca desta opção, pergunto: Quantos de nós, Empresários, não têm, nas suas relações com o mercado, estratégias de vendas assentes em "success fees", comissões , prémios de produtividade , "incentivos de vendas".etc.. Não serão estas acções uma outra forma de "comprar passageiros"?

Julgo que teremos todos nós, sectores público e empresarial, de caminhar cada vez mais para objectivos promocionais assentes em resultados comensuráveis e com alvos muito bem definidos, sob pena de estarmos a "atirar aos pardais". O enquadramento nacional e regional de promoção exterior , vai nesse sentido, com a separação entre promoção institucional e promoção do negócio turístico, aberta à co-participação dos privados. Saibamos tirar proveito do mesmo.

António Trindade - Empresário