Guido Gomes Há algo de perturbador na posição do presidente da Câmara do Funchal em todos este triste enredo sobre o aterro. Aliás, já notado por muita gente. O Edil diz-se impotente para uma tomada de posição sobre o montão de inertes depositados na baía da Funchal, e justifica-se com a falta de documentação e informação em geral sobre as intenções do governo regional, sobre as quais recaem as maiores suspeitas. O desenho que foi tornado público, um esboço de placas e embutidos gigantes de betão, são realmente vagos e só nos provocam mais pânico e sérias interrogações acerca da sanidade da horda que nos governa.

Há, porém, uma certeza que nos permite, a nós e a qualquer presidente de câmara que se preze, tomar uma posição, qualquer que seja o esboço com que a matilha do poder nos queira iludir: a baia do Funchal é nossa! E o Presidente da Câmara, que foi eleito pela maioria dos funchalenses, e que tem para com eles o dever de lealdade, já tem a informação necessária e suficiente para se manifestar de forma séria e corajosa. Ele, tal com nós, já sabe que a proposta do governo regional é a de um porto que não oferece segurança alguma a qualquer navio que ali atraque e que, pior do que isso, constitui mais uma barreira que nos retira a baía do Funchal, essa baía que faz parte da nossa memória e da nossa relação com a cidade e o mar. Para nós, os funchalenses, a cidade são as ruas, as casas, os jardins, mas também o mar. Sobretudo o mar, que cinicamente nos foi sendo retirado desde que esta matilha assaltou o poder político da Madeira.

Isto para não falar da urgência em retirar o (mega)aterro, antes que o Inverno se encarregue de o arrastar para o porto e bloqueie uma das fontes de rendimento que nos resta após a governação catastrófica deste governo, a entrada de navios cruzeiro no porto do Funchal.

Conhecendo-se a incapacidade do governo madeirense em lidar com a crítica, que perante ela, reage como um adolescente estacionário (faz asneira, reincide, é repreendido, e volta a fazer pior só para demonstrar a sua supremacia perante o mundo inteiro), o que precisamos é de uma voz forte, determinada e muito clara sobre esta nova monstruosidade imposta aos funchalenses. Os cidadãos e os partidos da oposição já se manifestaram. Por que esperam os eleitos do Funchal?