O "20 de Fevereiro" revelou todo um conjunto de erros, falhas e vícios, grande parte dos quais apontados e denunciados ao longo de anos e anos, mas sempre ignorados ou minimizados, e por vezes mesmo perdoados ou até sustentados e encorajados, aos mais diversos níveis, e que culminaram num horrível clímax do qual resultaram a inestimável perda de vidas humanas, a destruição de muitas infraestruturas, e avultados danos e prejuízos. Mas os efeitos do acontecido não se limitam apenas àquele dia; ainda hoje perduram e marcam o nosso quotidiano e, de forma bem evidente, a existência de todos quantos vivem nas zonas mais afectadas pela tragédia. O dia 20 de Fevereiro deveria, em cada ano, ajudar a melhorar a prevenção em cada uma das zonas com elevada exposição ao risco e menor capacidade económica. A jusante da prevenção, considerando a experiência adquirida em catástrofes recentes, deveria este "dia da memória" permitir uma avaliação das políticas que contribuem para um aumento da exposição ao risco, e para a ponderação do ainda inexistente programa regional sobre a prevenção de catástrofes naturais ou provocadas pela acção humana. Deveria ser instituído um novo feriado na RAM. O dia 20 de Fevereiro justifica-se que passe a ser o "Dia Regional de Prevenção de Catástrofes". E como feriado regional, deveria ser dedicado a uma profunda reflexão sobre tudo quanto aconteceu naquele trágico dia em 2010, para que não se repitam os dias das catástrofes que podem e devem ser prevenidas.

Edgar Silva - Líder do PCP-Madeira