O mundo está cheio de coelhos famosos mas antes mesmo destes se revelaram ao longo da história começo por recordar as origens do povo que povoou esta Ilha da Madeira, perdidas na memória do tempo. Segundo uma das teorias que procura saber as raízes dos povos peninsulares diz que os fenícios e os cartagineses quando chegaram à Península Ibérica chamaram-lhe I-shphanim, forma plural de shaphán que designa o conjunto dos Hirax, pequeno animal do norte de África, cujo nome aqueles povos deram aos coelhos que havia em abundância no extremo peninsular. A este nome está ligada a raiz Span ou Spania que também significa oculto. Os romanos fixaram o nome da península toda como Hispânia ( de I-shphanim), ou seja, à letra seria ilha de coelhos ou num sentido mais lato, terra de coelhos. Durante o império romano chegou o cristianismo e com ele a Páscoa como centralidade das suas festas religiosas. Páscoa quer dizer passagem mas antes de ser a passagem do Mar Vermelho, da escravidão para a liberdade dos judeus, e de ser a passagem da morte à vida dos cristãos, era a passagem do Inverno para Primavera dos povos primitivos. Estas festividades estavam repletas de simbologias e rituais ligados aos cultos da fertilidade, da renovação da vida, do recomeço. É aí que surge o coelho como um desses símbolos pela sua facilidade em reproduzir-se. Foram os povos germânicos que acabaram por misturar estas ancestrais celebrações com a festa cristã da Páscoa. Afinal em última análise trata-se sempre da exaltação da vida. Por causa do famoso apetite sexual destes animais, mais recentemente, no séc.XX, a revista Playboy adoptou o coelho como seu símbolo. E quando alguém tem de comprar pilhas para qualquer aparelho quem não se lembra do coelhinho da Duracell que dura, dura, dura… E o mundo da animação está cheio de personagens inesquecíveis a começar pelo Tambor, o coelho amigo e conselheiro do Bambi que todas as crianças conhecem. O seu nome deriva do facto de bater o pé sempre que desata a rir. Mas sem dúvida que de todos os coelhos o mais famoso é o Bugs Bunny, conhecido no Brasil por Pernalonga, e que passa vida a comer cenouras. Uma das suas características é o sotaque, uma mistura de dialectos de alguns condados americanos. Por fim uma criação ainda mais recente, Roger Rabit, cujo filme tem um sugestivo título: Quem tramou Roger Rabit? Um policial com assassínios e tudo como deve ser nestas histórias. Há ainda o Drº Passos Coelho mas desse ainda não sei a história… digamos que é um coelho que está ainda a dar os primeiros passos. Vêm-me há memória estas coisas a propósito de José Manuel, o Coelho Português. Não há dúvida que, como a maioria de nós, tem as suas origens no extremo ocidental da península, onde havia muitos coelhos. Acredita num Ser Supremo mas não no deus das religiões. Lembra a religiosidade dos portugueses e ao mesmo tempo o seu secular anti-clericalismo (disse-o num programa da RTP2 a semana passada). É o que resta do seu lado de coelho da Páscoa. Quanto à costela do coelho da playboy, no referido programa, disse que não se consegue acabar com a prostituição mas pode ser reduzida a níveis mais aceitáveis (…!!!??). O coelho da Duracell revela-se na atenção que os meios de comunicação social continuam a dar-lhe e com a votação que teve está aí para durar. Quem não se lembraria do coelho Tambor com as pancadas que ele dá a todos, sempre de sorriso aberto. Tal como Bugs Bunny tem um sotaque característico. Quanto ao filme do Roger Rabit a questão que se levanta é saber qual a pergunta que deve ser feita: Quem Tramou Alberto João jardim? Ou Quem Vai Tramar José Manuel Coelho? Só para terminar recordo que estamos no ano chinês do coelho que diz entre outras coisas o seguinte: O coelho simboliza a graciosidade, as boas maneiras, conselhos sadios, bondade e sensibilidade à beleza. O seu discurso delicado e maneiras graciosas preenchem todos os traços desejáveis de um diplomata bem sucedido ou de um bom político. Como diria alguém …e esta heim?
Paulo Santos