A poucos dias de se cumprir um ano sobre o fatídico 20 de Fevereiro de 2010, continuamos à espera que chegue a anunciada ajuda financeira a disponibilizar pelo Fundo de Solidariedade da União Europeia. Há um consenso generalizado sobre pelo menos dois pontos: um, que as regras que regem a mobilização do Fundo carecem de rápida e profunda modificação, flexibilizando e agilizando o procedimento; a segunda, que a União não pode acorrer de forma mais expedita e menos exigente a catástrofes em países terceiros do que quando elas ocorrem dentro de portas. Pelo menos desde 2006 que os Estados membros têm bloqueado no Conselho uma proposta da Comissão e Parlamento Europeu que aponta neste sentido. Mas a verdade é que a burocracia não explica tudo. Porque quando Bruxelas nos pediu esclarecimentos e elementos, Portugal tardou em dá-los. Primeiro, houve quem negasse que os tivessem pedido, depois mentido quanto ao facto de já ter sido dada resposta e, mais recentemente, voltaram a reagir tardiamente. Ou seja, quando o impulso processual esteve do nosso lado, demorámos sempre mais que o razoável. Agora falta apenas fazer transitar o encargo orçamental assumido no ano anterior e celebrar o acordo entre a Comissão e o Estado beneficiário, Portugal, sobre a utilização das verbas atribuídas. Pelas minhas contas, e oxalá me engane, a ajuda só deverá chegar no início de Março de 2011… Sabemos que o céu pode sempre esperar. Os que cá ficam é que não. Já esperaram demasiado.
Nuno Teixeira, Eurodeputado do PSD