A evolução nas tendências mundiais do Turismo, a alteração da faixa etária dos turistas que procuram o destino e os próprios hábitos de consumo dos mercados de origem dos turistas que procuram a Madeira determinam a necessidade de se reflectir em torno da oferta de serviços e condições do destino. A título de exemplo, a estada média que em 1980 ascendia a 7,3 dias, no ano 2000 situava-se nos 5,6 dias, registando-se um rácio de 5,2 dias em 2009. O decréscimo da estada média implica que a manutenção (ou recuperação) dos desejáveis níveis de ocupação das unidades hoteleiras acarrete a necessidade dum maior número de turistas. Sendo o transporte aéreo o principal veículo para deslocação de turistas até às ilhas da Madeira, importa reflectir-se nos impactos a médio e longo prazo desta tendência, aferir a capacidade das infraestruturas aeroportuárias para a movimentação de aeronaves e passageiros, respectivos ciclos e picos de tráfego, bem como a disponibilidades de lugar nos aviões, sob pena dos esforços promocionais se revelarem inglórios, aumentando o número de turistas entrados no aeroporto sem que melhorem os resultados do sector. Numa outra vertente, o decréscimo da idade média do turista e o crescimento de turistas provenientes do território português do continente e de Espanha, com hábitos de consumo distintos das faixas etárias e mercados tradicionais implicam, por exemplo, a necessidade do ajustamento da oferta das empresas de restauração, alargando os respectivos horários de funcionamento até mais tarde. Tal alargamento requer maior flexibilização nos horários dos trabalhadores do sector e maior disponibilidade dos seus trabalhadores sob pena de acarretarem acréscimos de custos que comprometam a rentabilidade dessas empresas, podendo mesmo inviabilizar muitas delas. Este ponto requer responsabilidade e maturidade de todos, incluindo das organizações sindicais que deverão demonstrar a sua capacidade de evolução para o mundo globalizado e mercado concorrencial, ponderando se a forma de defesa dos seus associados e trabalhadores em geral é a irredutibilidade ou a defesa de um "bem" que nos tempos actuais se vem revelando escasso; o TRABALHO!

Rui Coelho, Economista