Esta semana fui surpreendido com uma notícia num jornal económico do nosso país. O título referia que, os "maiores bancos privados lucraram mil milhões de euros". Mais á frente, referia ainda que três dessas instituições tinham conseguido os melhores resultados dos últimos três anos, adiantando ainda que este resultado tinha sido conseguido à "custa" das subidas das suas margens comerciais, da internacionalização, das comissões cobradas e da queda dos impostos. Estes resultados ficaram todos, acima das previsões dos analistas. Só em comissões bancárias, três desses bancos privados, arrecadaram 1,9 mil milhões de euros, ou seja, quase 10% mais que no ano anterior… Os impostos pagos sobre estes mesmos lucros… baixaram, num desses bancos, cerca de 60%, outro em 20%... Nem me vou pronunciar acerca dos níveis salariais dos seus administradores, dos bónus pagos, dos prémios em acções, prémios de desempenho, se são administradores de bancos privados ou públicos…, nem vou sequer comparar o seu nível de responsabilidade comparativamente, por exemplo, a um Presidente da República, Primeiro-ministro, Presidente de um Governo Regional… Apetece-me apenas questionar, o contributo destas entidades para com a sociedade, com as empresas privadas geradoras de riqueza para o país, que criam postos de trabalho, que alimentam as pequenas e médias empresas, cerca de 90% do tecido económico e empresarial do país. Numa fase difícil das nossas vidas, numa conjuntura altamente desfavorável a empresas, famílias, e trabalhadores, o que temos encontrado? Crédito cada vez mais difícil, subida generalizada dos spreads (margens financeiras), respostas cada vez mais lentas aos pedidos de apoios, entre muitas outras dificuldades. Depois de anos e anos em que, quase sem qualquer critério alimentaram a subida generalizada da inflação dos terrenos e preços no sector imobiliário, contribuíram para que as empresas tivessem linhas de crédito que não correspondiam á sua real capacidade financeira, temos agora, de repente, um "puxar de tapete" em todas as áreas e sectores… É este o seu contributo num momento difícil do país? O que esperam receber em troca? Numa fase em que poderiam e deveriam ajudar o sector privado, substituindo-se ao sector público, no financiamento, apoios publicitários, fomento e dinamização de eventos, programas sociais, o que temos da maior parte deles? Numa altura em que muito se fala de ética empresarial, de justiça social, de apoio social, seria muito positivo que não ficássemos só pelas ideias e retórica… precisamos todos, de muito mais do que isto…
Pedro Calado, Presidente da AMAK