Severino Olim Li, com muita atenção, nas cartas do leitor, o desabafo de mãe que dava conta da falta de colheres numa das escolas mais frequentadas de Machico. A ser verdade, creio, que estamos perante uma situação muito perplexa e complicada para toda a comunidade educativa daquela escola quando, a bem pouco tempo, no mês passado, muitos dos pais foram chamados a pagar a alimentação dos seus filhos, já numa altura muito complicada para os seus orçamentos familiares. Como encarregado de educação e representante dos pais no Conselho da Comunidade Educativa de uma das escolhas do Funchal, temo que este problema possa existir noutras escolas da região sob a passividade dos seus responsáveis que perante esta situação devem de encontrar soluções, a fim de que, situações como esta não se arrastem nem ponham em risco a amplitude da missão da escola. Entendo que, em situações pontuais como na realização de um convívio possa a escola em questão ou outra da região não ter capacidade para fornecer talheres para todos os alunos. Agora, para situações do quotidiano o aluno não pode estar sujeito que outros acabem de almoçar para que lhe seja disponibilizado uma colher ou um copo! Isto ultrapassa o razoável e o inadmissível, sabendo dos muitos sacrifícios que os pais estão a fazer para que no inicio de cada mês seja possível assegurar o fornecimento das refeições aos seus filhos, durante todo mês. Não imagino o que poderia vir acontecer se aos utentes da conhecida sopa do Cardoso estivessem que esperar com a comida em cima da mesa e a arrefecer a aguardar pelos talheres dos outros, sabendo nós que ali as refeições são fornecidas gratuitamente. Perante o desabafo desta Senhora, encarregada de educação, sugiro a todos os encarregados de educação e tutores que reivindiquem, exijam os direitos dos vossos filhos, façam ouvir a sua indignação sem medos, participem dentro do papel de cada pai/mãe na gestão das escolas dos vosso filhos, interroguem-se e procurem os responsáveis para vos informar sobre as medidas a tomar com vista a solucionar problemas como este e outros que, com certeza, virão a acontecer. Mais, com os cortes nos nossos salários e nos suplementos de abono de família, deixaram-nos como nunca numa situação muito privilegiada, nomeadamente, no tocante à responsabilidade que devemos exigir a todos aqueles que orientam as politicas educativas nesta região de modo a que seja ainda possível travar situações como esta, narrada pela Sr.ª Maria Melim aquém felicito pela coragem em denunciar publicamente este caso.