António Ferreira Não sou feminista. Não pensem que sou feminista. Para ser sincero, tenho poucas causas. Preocupo-me com as coisas, faço os meus exercícios de cidadania de vez em quando. Pouco mais. Eu presto atenção à sociedade onde vivemos. Também presto atenção às figuras públicas femininas. Por acaso gosto de algumas. Não as conheço, mas reconheço que tem mérito. Tenho amigos que tem uma explicação um pouco esdrúxula para o facto de haver figuras públicas femininas. Para eles as mulheres da nossa praça são colaboradoras horizontais do regime. Ponto final. Acho que é treta, mas riu-me com eles. Já disse que não sou de causas! Dito isto, quero fazer algumas observações. Primeiro, a forma lamentável como o JM tratou da candidatura de Rubina Berardo à liderança da JSD. Não apontei o nome do jornalista que assinou a peça, mas tratar uma militante por "a outra candidata", negando o direito desta ter nome, não é só politicamente infeliz, porque mostra o espírito pluralista que reina dentro do PSD (ironia), como indica que o PSD quer caras novas, com ideias velhas (sarcasmo). Depois quero apontar o pormenor da Comissão Política do PSD-M praticamente ser livre de mulheres. Existe apenas uma senhora entre os compinchas que fumam charuto e bebem imoderadamente a água sagrada da Escócia. O que não deixa de ser curioso, para um partido com maiorias esmagadoras. O que seria do PSD-M sem o voto feminino? Sinceramente, não sei. Não é que me importe muito com a posição das mulheres no seio do PSD. O que me preocupa é que é essa mesma gente que nos governa, ou seja, que tomam decisões que todos temos que engolir (peço desculpa, deveria ter usado o verbo acatar!).