No contexto económico difícil actual, devo confessar a satisfação, por constatar o importante contributo dos nossos emigrantes radicados na Venezuela na economia madeirense. A Madeira muito lhes deve pela sua presença, fidelidade e pelos fortes gastos que aqui fazem. Eventualmente, nem todos os madeirenses se dão conta deste fenómeno, por já parecer tão natural e normal. Mas estou certo que a restauração e o imobiliário conhecem bem os benefícios desta realidade. Estes turistas "emigrantes" são dos que mais gastam e que actualmente mais compram habitação na Madeira. Chamo a atenção, pois algumas situações menos "éticas" estarão já a "desviar" investimentos e decisões de compra de habitação para outras geografias com preços mais competitivos e com possibilidades de rendimento maiores. Na minha modesta opinião, deveria existir uma reflexão das entidades publicas e privadas, sobre o real impacto económico destes nossos conterrâneos, no sentido de ser criar uma oferta que permita um melhor acolhimento destes na Madeira. Neste final de ano, e com particular incidência para os meses de Julho, Agosto e Setembro, a Madeira "fala" castelhano. Bastará andar na baixa do Funchal, nos Shoppings, lojas e restaurantes para darmos pela sua presença. O "turista" da Venezuela, desculpem-me o uso deste termo, pois considero correcto usá-lo, e deveria ser assim que os devíamos considerar, tratar e atender. A Madeira faz tantas acções promocionais em tantos outros mercados, que tão pouco cá gastam e tão pouco contribuem para a economia regional. Enquanto que estes "turistas", leia-se conterrâneos emigrantes na Venezuela, em particular os da 3ª geração, gastam muito e visitam-nos repetidas vezes ao longo do ano. Nós madeirenses, ainda temos alguns estigmas com "miras" mas devíamos dar uma maior atenção e um maior carinho para um bom acolhimento, respeitando e valorizando as suas diferenças e a sua diversidade cultural. A existir uma oferta turística adequada a este segmento, estou convicto que teríamos um maior número de visitantes, pois muitos, não trazem mais família, por não poderem acomodar comodamente todos no seio do seu "ambiente familiar tradicional". Estes turistas pelo menos sabemos que gastam cá e não nos tour-operators.
Ivo Correia, Economista