Para quem vive numa ilha, as ligações, quer aéreas, quer marítimas, são fundamentais para diminuírem as dificuldades causadas pela insularidade. É compreensível, desde logo, a importância que este facto tem para regiões ultraperiféricas, cuja economia assenta quase totalmente no turismo e no seu relacionamento com o exterior. Durante muito tempo as saídas e entradas de passageiros, de e para a Região, fizeram-se exclusivamente por via aérea, recebendo os cidadãos residentes um subsídio. Há poucos anos, felizmente para os madeirenses, abriram-se novas portas por via marítima, através da Naviera Armas, propriedade de um armador Espanhol. Desde a primeira hora, e com agrado, sou utente deste meio de transporte entre a Madeira e o Continente, apresentando alternativa com vantagens. Mas tem um senão. Só quem viaja por via aérea tem direito a um reembolso. Ora, sendo o Estado o primeiro responsável pelo cumprimento dos princípios da continuidade territorial e da solidariedade nacional, não se entende porque se nega a atribuir uma compensação a todos aqueles que escolhem este meio de transporte, criando uma injusta discriminação. Não obstante o voto negativo do PS na Assembleia da República, o que lamento, foram aprovadas, e em boa hora, pelos restantes partidos, propostas no sentido de ser criado um novo modelo de subsídio de mobilidade, em estudo na Comissão de Obras Públicas. A falta de sensibilidade para com os residentes da RAM é tanto mais notória, quando simultaneamente o PS aprova um projecto oriundo da A. L. Açores para alargar o apoio a todos os cidadãos extracomunitários que residam há pelo menos seis meses nas regiões insulares e que viajam por via aérea. É incompreensível que por um lado estejam a favor do fim da discriminação em relação à nacionalidade e mantenham essa mesma discriminação em função do meio de transporte. O PS-M defenderá sempre, nesta e noutras situações, o que possa contribuir para melhorar a condição de ilhéu!

Isabel Sena Lino, Deputada municipal do PS na CMF