Habituámo-nos a tê-lo por perto, vai connosco para todo o lado e agora não vivemos sem ele. Assumiu presença avassaladora e, porventura, nada mudou tanto as relações sociais como o uso do telemóvel. Ganhou estatuto de companhia, agenda, acesso à Net, partilha de ficheiros, objecto de status social. Nem a TV Cabo ou a Internet conseguiram ter um impacto tão profundo e muito menos a penetração elevada que o telemóvel conquistou. Em menos de uma geração existem hoje quase 12 milhões de telemóveis em Portugal (mais unidades do que habitantes!) sendo o 3º país com a taxa mais elevada da Europa, apenas atrás da Grécia e da Finlândia (o país da Nokia). O tráfego de mensagens e voz continua a subir: quase 7 biliões de mensagens geradas no penúltimo trimestre em Portugal. O telemóvel assume-se como um "gadget", pequena aspiração burguesa de consumo e posse, quantas vezes ganhando prioridade sobre outros bens, bem mais essenciais. E é curioso que muitos dos consumidores com menores rendimentos são aqueles que possuem os telemóveis "topo de gama", os smartphones. É um fenómeno cultural a apetência lusa e grega, dois dos países da "cauda" da Europa, para possuir um telemóvel. Parece funcionar como uma espécie de "compensação" e não é um espelho das capacidades económicas de um país. Um estudo recente divulgado pelo Eurostat diz-nos precisamente que Portugal tem o seguinte valor mais alto da União Europeia: um terço dos portugueses desliga o telemóvel ou nem o leva consigo quando viaja para o estrangeiro, por estar preocupado com os custos de roaming e querer limitar as chamadas. Conclusão: mesmo sem dinheiro, somos "presa fácil" para os fabricantes e operadores. [email protected]

Luís Sena Lino, Consultor de Marketing