Prognosticar, passar mensagens, planear estratégias para ganhar o futuro, mais que um exercício de previsão e de cidadania, pode ser uma especulação técnica de prevenção, de preparação e de domínio das acções a desenvolver. Nestes tempos difíceis e controversos, é fácil de se instalar a confusão e mesmo a distorção, pois este clima permanente de incerteza proporciona esta atitude de descrença acompanhada de ausência de referências actuais e futuras. Confundindo-se a função do mensageiro, a mensagem enquanto notícia com respectivos conteúdos, e atribuindo à informação um juízo de valor de conveniência, desviamo-nos do essencial e fundamental para o supérfluo. Esta foi uma prática comum ao longo dos tempos e necessariamente não devia ser motivo de relevo, não fossem os contornos que se está a experimentar. Na verdade, a técnica de desacreditar o mensageiro, sempre foi utilizada, pois isso, e por contágio também minimiza o valor da mensagem. A ofensa pessoal, a injúria e difamação, ultrapassa o bom senso e a atitude democrática, inviabilizando o debate, a reflexão e a procura competente de soluções sérias. "O carteiro que traz uma notícia da morte de um combatente, não é responsável pela mensagem, nem muito menos pela morte, nem pela guerra" A notícia normalmente até é neutra, pelo que lhe atribuir juízos de valor é uma falta de bom senso, pior ainda, uma provocação á competência e sabedoria, e um sinal inequívoco de facciosismo e impossibilidade de dialogar. Precisamos de debate, de discutir, sem cargas negativistas que por vezes se coloca, na troca de opiniões, no confronto de ideias, sempre na busca pelas melhores soluções. A partilha pelo conhecimento, pelas ideias, é um factor fundamental para as mudanças comportamentais de todos. Aprender a utilizar informação, debatê-la mesmo em especulação, tem de ser uma prática normal e obrigatória, promovendo-se atitudes abertas e construtivas. O combate às pessoas que opinam, não pode ser só na adjectivação, catalogando-os de catastrofistas, de pessimistas, de retrógrados, mas sim feito no plano das ideias. Antever e preparar o futuro, mais do que uma necessidade é uma obrigação, e as mudanças comportamentais que se exige são necessárias e fundamentais para que transformar as atitudes, e conseguir vencer os desafios, que o presente nos precipita. Acolher os vários mensageiros nas suas ideias, mais que um exercício democrático, é uma atitude de competência e sabedoria e entender os novos paradigmas na nossa sociedade.

Rui Mâncio Caires, Treinador