Tenho algumas saudades, dos tempos em que os telejornais nos mostravam notícias, mais ou menos simpáticas, menos agressivas, menos deprimentes e mais ou menos estimulantes. Hoje, os televisores transmitem sistemática e cansativamente as histórias da dívida pública portuguesa, falando das reações dos mercados..., da labilidade "inexplicável" desses mercados, com imediata influência nos juros da própria dívida, e também alguma falta no controlo das opiniões, desses tais mercados. E pelos vistos, nos srs. mercados ou agências de "rating" ninguém manda, ninguém consegue sentir o "pulso" ou saber a "tensão" ou a "densidade", mas depois vemos bem, o "peso" que têm, para fazer decidir, os valores em juros a atribuir e pagar nas datas pré-estabelecidas. Mas então afinal, de onde vem essa desconhecida dívida portuguesa, tão medonha e inacessível, tão mal explicada,... como tanta coisa por esse país fora!!! ... andava escondida, ... debaixo duma gaveta d´algum ministro e ninguém sabia, ... e agora "comemos" com uma catrafada de impostos, multas e penalizações, e... pior que isso e mais grave, é não sabermos se vai valer a pena tanto esforço e tanto sacrifício. Paralelamente a tudo isto, os nossos aparelhos televisivos debitam horáriamente, imagens de agitações populares pelas terras do norte de África/Médio Oriente, como sejam no Egipto, na Tunísia, ou até no Iémen e mais recentemente também no Irão e Bahrein e últissimamente na Líbia do galã Kadhafi. Estes são alguns dos países onde as estruturas político-ideológicas estão a ser postas em causa, movimentando nos seus territórios, com relativa facilidade, multidões, participativas, capazes de transformar o rumo das coisas em pouco espaço de tempo. E salta á vista, o risco previsto e eminente, de esta instabilidade sócio-política, perfeitamente instalada, se propagar por contágio a outros países da zona como a Arábia Saudita e sei lá também, Sudão, Marrocos e Argélia. E continuando na senda de recordar notícias dos últimos tempos mais recentes, causou-me alguma preplexidade, a quantidade de tempo de antena com gastos energéticos vários, o comentarismo gratuito e estéril e a importância empolada, que foi atribuida a um crime passional violento, ocorrido num hotel, algures na "Grande Maçã". Todos os crimes desta natureza, além de serem definitivamente reprováveis, podem mesmo justificar ser notícia, ... mas, usar os meios audio-visuais públicos e também os privados para, na presença de técnicos convidados a gosto, coscuvilhar pormenores sobre ... se seria um garfo, um saca-rolhas ou uma "chave-inglesa" é bastante deplorável. As notícias das estações televisivas, devem ter uma importância mínima, calculada ou avaliada por alguém ou alguns, de modo a justificar a sua transmissão pública. Porque, os telejornais, não têm de durar necessáriamente 1 hora! Devem durar um tempo determinado, considerado razoável, com razoabilidade de intervenções e de ocorrências. Outras menos atractivas e mais preocupantes informações, são as que nos situam no peso real crescente, do desemprego nacional, com os relatos de contínuas situações de encerramento de fábricas, de insolvências, de "lay-outs", merecendo maior apreciação por quem manda e decide e grande apreenção por quem observa e escuta, não ajudando em nada qualquer recuperação económica. Continuando esta linha de notícias menos desejadas, também a nossa "velha" e exemplar União Europeia, parece que não anda nada bem, e ainda recordando os casos da Grécia e da Irlanda do Norte, outros lhes podem seguir as pisadas, como sejam: além de nós próprios, os nuestros hermanos, os italianos, os franceses e se calhar também os "bélgicos" que não conseguem formar governo há mais de seis meses. A Sra. Chanceler tem de ver como sai desta, para manter "o barco em boa navegação"...! E, esporádicamente vamos ouvindo alguma coisa de mais agradável, de mais esperançoso, tipo "sinais incipientes de retoma", mas o nosso ego já não acredita e começa a ficar desgastado com tanta "tinta preta", continuamente a "sujar" a nossa querida massa encefálica, de cores naturais, cinzenta e branca. As notícias que diáriamente nos consomem a atenção e que aqui apelidei de menos agradáveis, claro que têm várias facetas ... e, aceitação e interpretação diferentes, mas não deixam de expressar a velocidade das coisas, dos eventos, a mundialização das transmissões, quer sejam elas boas ou más notícias. Assim, espero ansiosamente a chegada do clima de calor, principalmente, para ver a nova colecção de bikinis, havaianas, maiôs e pareos da Moda Verão/2011 - que, com esta crise toda devem ser todos bem vistosos e de tamanhos diminutos! Abaixo este Inverno!

José Manuel Ramos