Ainda que a distância, mas atento ao que se passa na Madeira, não sei ficar indiferente ao modo e ao sentir de quantos mais de perto viveram o anúncio da solução preconizada para toda a área da frente-mar do Funchal, envolvendo a 'Porta de Entrada' da capital da Região. Agravada pelo '20 de Fevereiro' e pela consequente acumulação de inertes - o tão badalado 'aterro' - diria, na perspectiva de "a Madeira vista de fora", que foi bom perceber-se que, finalmente, os poderes públicos, não ignorando os apelos, se empenham em promover a sua requalificação e reordenamento, anunciando um projecto que, como parece óbvio, está longe de estar concluído e que, a alguns agrada, a outros não, naturalmente, suscitando críticas, ideias, sugestões. A seu tempo virá o consenso, importando para já vislumbrar a via que possibilite a aproximação de opiniões e ponha termo a nicas e tricas que em nada abonam a favor da Madeira e dos Madeirenses para que, mercê de um esforço colectivo, animado pelo verdadeiro espírito a favor da cidadania - como tanto hoje se apregoa e tão mal se pratica - seja possível ver concretizadas soluções que, acima de tudo, mais bem possam servir os interesses da Região. Quase em simultâneo, surgiu o esforço notável que levou à realização do 'cordão humano' do passado domingo, de que vi imagens, embora com pena tenha percebido pelas notícias, não ter o mesmo sido aproveitado, como seria desejável, para justamente acontecer a abertura que falta, para uma discussão pública, adequadamente estruturada. Em lugar disso, sobejou provocação, arrogância, insulto, alguns rancores e todo um negativismo de que só alguns mal intencionados aproveitam. Todavia, porque da apresentação do projecto se percebe existirem pontos que ninguém disputa, como é o de acabar com certas instalações comerciais - o famigerado 'Barco dos Beatles' e outros estabelecimentos de qualidade duvidosa, para que também desde 2008, neste espaço, venho apelando - outros há que estão ainda em fase de avaliação, como são os de requalificação urbanística, da competência da Câmara Municipal e também, designadamente, no que respeita à operacionalidade do porto, para todos eles, recomendando o senso comum que se não tirem conclusões precipitadas; mas, mais ainda importa que haja de todos os quadrantes uma adequada abertura e que a todos seja dada a oportunidade de se fazerem ouvir - Albuquerque, Baltazar, Quintal, Ramos, Rodrigues, Spínola, só para citar alguns - sem preconceitos ou reservas, nunca menosprezando as suas capabilidades técnicas e profissionais. Concluindo, nunca será demais apelar ao bom senso, sem dúvida, bastando que todos, de mãos dadas, sejam pela Madeira, sempre!
Francisco Leite Monteiro