Na conjuntura difícil em que já estamos, na antecâmara de tempos ainda mais complicados, temos recebido os piores sinais de quem tem a obrigação da serenidade, da tolerância e da sensatez nas decisões. Governar com 'enxurradas de dinheiro' da União Europeia, do Orçamento de Estado e até mesmo das parcas receitas regionais, não é lá grande exigência. E é muito diferente de governar após as enxurradas, sem aspas, e a crise conjuntural que desta vez não passou ao largo da Madeira. Por essa razão, a de querer demonstrar capacidades também em tempo de 'vacas magras', é que se pode aceitar de ânimo leve a recondução do líder histórico da Madeira, apesar de cansado, sem "pachorra para aturar" os madeirenses, como já confessou, e tristemente convencido que depois dele será o caos… Que rica herança deixa o regime jardinista, que confessadamente não soube gerar um único sucessor que possa dar continuidade à obra, chame-se João, Miguel, Jaime, Sérgio, Manuel, etc.. E como eles aceitam, quase todos e também de ânimo leve, que lhes chamem de incompetentes aprendizes, apenas porque estão bem instalados! Os primeiros testes à 'governação sem dinheiro' não auguram nada de bom. Será sempre difícil desligá-la dos erros históricos, como a trapalhada e a covardia da construção de estádios, das megalomanias para a construção de um novo hospital, do desbaratar de avultadas verbas públicas em caprichos pessoais, como o JM e a UCALPLIM, entre muitos outros, tudo com a única assinatura importante da Madeira. E, se não se pode pura e simplesmente esquecer que essas opções negras continuarão a ensombrar as nossas vidas e as dos nossos descendentes, sempre podemos exigir humildade e sobriedade nas decisões que se seguem. Porque já chega de 'comer e calar', parafraseando Raimundo Quintal. Mas o que é que vemos, então? 'Navegação à vista', ajustes de contas de Jardim com jardins, recuos monumentais, mudanças de 180 graus nos discursos e argumentos outrora impostos sem dó nem piedade, tudo com a maior naturalidade, como se ninguém tivesse de pagar por erros históricos, opções erradas e muito mal medidas. Alberto João Jardim, Presidente do PSD-Madeira Os seus 30 anos de liderança, mesmo com erros colossais, mereciam uma reeleição com outra dignidade, sem 'ameaças' à Norte de África. Jacinto Serrão, Presidente do PS-Madeira Provavelmente sem se aperceber das repercussões, provocou uma clarificação interna. Não será boa para ele, mas pior o PS não ficará. Bernardo Trindade, Presidente da C.P. do PS-Madeira A posição de Serrão obrigou-o a definir-se. Não é nada oportuno para os seus 'timings', mas a política não se faz só de interesses pessoais. Fábio Machado, bandolinista O jovem madeirense actuou ontem em Honolulu e hoje em Kanehoe, no Hawai, ilhas de elevado significado para a nossa emigração. José Manuel Coelho, deputado do PND Dificilmente alguém saberia gerir aquele inimaginável monte de votos nas Presidenciais. Coelho não sabe. Mas parece saber desbaratá-lo.
Agostinho Silva, Subdirector