O tempo é de crise, também, no futebol. E a crise que sufoca e asfixia cada vez mais o futebol português - e é do futebol que vamos falar neste espaço - tem responsáveis conhecidos: os denominados três grandes. Heresia? Nem por isso, se se entender as razões para esta convicção que me assola. Senão vejamos: o futebol em Portugal gravita à volta de Benfica, FC Porto e, ainda, o Sporting. São eles que, se digladiando entre si, acumulam a maior parte da massa adepta, alimentada por toda uma comunicação social, desde a escrita à falada e televisionada. Tudo é feito em função dos interesses dos três grandes (vide a Taça da Liga, por exemplo), desde os interesses televisivos até à organização e calendarização dos quadros competitivos. Até no caso dos famigerados estatutos para a F. P. F. . De tal forma que, com mais ou menos crise, os orçamentos dos três grandes são ofensivos em comparação com os restantes comparsas na Liga. Mesmo que esses três grandes acabem por ficar longe dos grandes tubarões da Europa. Neste contexto, com os restantes clubes a ficarem com as migalhas que os grandes vão deixando, com cada vez menos dinheiro, como é que ainda alguém se atreve a criticar a qualidade/competitividade da nossa Liga? Só por hipocrisia ou ignorância. Grandes há em qualquer parte. São os clubes que, pelas suas conquistas, construíram uma história que os fazem rodear de um maior número de adeptos. Mas, ao contrário das outras Ligas, em Portugal aprofunda-se o fosso que os separa dos mais pequenos clubes. Daí o espanto quando surge, de quando em vez, alguém como o Braga, em tentativas frustadas de lançar ar fresco. E, se não se alterar as regras de mercado, nomeadamente no que concerne aos direitos televisivos, equilibrando mais as forças, o que teremos é, para além das más gestões que também há nos grandes, ainda mais clubes com problemas de sobrevivência. Até ficar uma Liga reduzida apenas aos grandes? Seria a solução. PS: Esta tese não invalida que o Marítimo pudesse e devesse estar muito melhor. E o exemplo do Paços de Ferreira, com o mais pequeno orçamento da Liga, é flagrante. Mas isto são contas de outro rosário.

Emanuel Rosa, Repórter desportivo