Num mundo cada vez mais digitalizado, a arte de passar música tem vindo a evoluir cada vez mais, tenho a certeza que quando Francis Grasso primeiro viu o potêncial de alinhar duas músicas com a mesma velocidade através do “pitch control” nos giradiscos no final da década de sessenta, não imaginava que volvidas quatro décadas o desafio técnico, inimaginável na altura a que se propus tornou-se algo tão básico que até as estrelas fracassadas das telenovelas portuguesas o conseguem fazer, isto é, arranjaram programas de computador que o façam por elas. Nos últimos oito anos o conceito de dj mudou radicalmente. O conceito original de passar música para uma audiência, parece estar cada vez mais esquecido, principalmente pelos mais novos, que vêm com entusiasmo o sucesso de artistas como Sweedish House Máfia ou David Guetta. Hoje a palavra Dj que diga-se de passagem só no início da década transacta passou a ser usada como sigla, visto que antes os dj’s assinavam ou apresentavam-se como D.J. (Disc-Jockey) seguido do nome de “guerra”, mas como dizia a palavra Dj certamente será uma das mais tecladas, faladas ou até mesmo sonhadas em todo o mundo. O Dj sempre foi o maluco que gastava o seu dinheiro em discos, fazia largos investimentos em equipamentos, e dedicava grande parte do seu tempo à procura de conhecer grande parte dos discos que coleccionava e também de dominar a parte técnica, que diga-se era um pouco difícil visto que os discos antigamente eram produzidos usando caixas de ritmo analógicas que nem sempre mantinham o mesmo tempo, daí manter duas músicas a tocar à mesma velocidade, era um pormenor técnico que nem todos podiam se gabar de dominar. O que quero com isto dizer é que vejo muitos jovens se interessarem pela profissão e pela música pelas razões erradas, estão mais interessados em serem famosos e a viajar pelo mundo do que propriamente ter gosto em pôr as pessoas a dançar. Mesmo nos media e nas companhias dos novos equipamentos usados pelos dj’s estão a fazer crer ao “sangue novo” que é mais importante a maneira como se passa música do que a própria música em si. Claro que isto é tudo falso, ao longo da minha carreira ouvi centenas de dj’s, muitos deles incrivelmente bons, mas bons não no sentido em que fizeram um truque qualquer, mas sim que tocaram uma música incrível, ou então tocaram um disco que ninguém mais se lembrava e que levou o público ao rubro no momento certo, e isso para mim é o que continua a interessar, a música.
Michael C, DJ