Com o perdão do atrevimento, considero importante lembrar que a Madeira tem mais de 16 mil desempregados. Que metade deles vive em famílias onde ninguém trabalha. Que há empresas a fechar a um ritmo alucinante. Que prospera o negócio do ouro de que as famílas se desfazem para comprar pão. Que há sérios problemas laborais que atingem transversalmente a sociedade madeirense. Que as as famílias, já apertadas com impostos, falta de trabalho e a carestia da vida, são agora sobrecarregadas com despesas de alimentação dos filhos nas escolas. Que, ao contrário dos Açores, na Madeira, o Governo não aceitou aumentar o vencimento dos funcionários públicos. Que meia Madeira deve à outra metade. E que aumenta dívida pública. Este panorama, como se vê, não é famoso. Logo, qualquer cidadão preocupado deverá ter como certo que a prioridade é desenvolver políticas que possam alterar este cenário, que não se deve só à famosa crise internacional. Mas não é isso que se vê. Mesmo com a realidade com que somos confrontados todos os dias, quem nos governa parece viver noutro mundo. Quase diariamente se esforçam para 'dourar a pílula', por dizer que não é bem assim, que o PIB subiu, que a Zona Franca é uma maravilha, que a anona dá grandes lucros, que a agricultura pode ser comparável à indústria do Turismo, que cresce a plantação de semilhas, que aumenta o número de ovos, que os turistas hão-de vir em força, que estamos no melhor dos mundos. Então o que tem corrido mal nos últimos tempos? Por aquilo que o Governo Regional, o PSD-Madeira e o PS-Madeira têm demonstrado são problemas bem menores: Para Jardim, uma das maiores preocupações das últimas semanas foi o boletim metereológico. Que dá má imagem da Madeira, que é uma pouca-vergonha, que é feito de rebendita para prejudicar a Região. Entretanto, o Governo anula um hospital e anuncia uma marina. E esta semana mostrou ao ponto que vai a política doméstica, aquela de vistas curtas: para mostrar quem manda, o chefe do Executivo retirou à Câmara do Funchal o arranjo daquela estranha rotunda do Amparo. O povo apertado e o Governo a mandar plantar flores. Talvez para não ficar atrás, o PS entra na linha da frente do debate político. Não para falar do desemprego, do aterro, ou do hospital, que isso já está feito em conferência de imprensa. Desta vez é para bater no Sócrates. Mesmo que isso represente desviar as atenções dos erros da governação regional. E andamos nisto. Quando a sociedade ensaia uns tímidos passos de contestação assumida, os principais partidos viram-lhe as costas. Pior: viram-se para eles próprios. E andamos nisto, numa política de rotunda que deixa a Madeira a andar à roda.