Leitora devidamente identificada Não há hospital novo para ninguém! Disse-o Alberto João Jardim. E é lamentável, pois se fosse apenas mais uma pessoa do povo, um simples anónimo, de certeza que não tinha este tipo de discurso. Recentemente o presidente do Governo Regional esteve internado no Hospital Dr.º Nélio Mendonça e, bem, teve direito a todo o tipo de cuidados e mordomias, porque é um ser humano e... o presidente do Governo. Agora, os "presidentes da vida", os anónimos, nem sempre têm a mesma sorte, apesar de naquele hospital haver gente milagrosa, que valoriza o ser humano e tudo faz para ajudar os outros, muitas das vezes em condições deficientes e crueis. O Serviço de Obstetrícia é um dos maus exemplos do nosso hospital, um sector vital que não oferece as condições mínimas e devidas para assegurar o futuro desta terra, apesar de ter as tais pessoas milagrosas. Uma grávida sofre naquele hospital, sobretudo se tem de passar primeiro pelas urgências, onde a triagem demora eternidades, às vezes por não haver pessoas sensíveis ou então por não existirem operacionais suficientes. Depois da longa espera, as grávidas são enviadas para o 4.º Andar, para os serviços de obstetrícia, onde aguardam desesperadamente pela chegada de um médico, sentadas em cadeiras desconfortáveis, quase a partirem-se, muitas sem ninguém por perto para as confortar. As enfermeiras minimizam a situação, tratando de fazer os exames obrigatórios para ver se está tudo bem com a mãe e o bebé. Um alívio, finalmente. Mas depois há que esperar pela chegada de algum médico, às vezes um mal disposto, se calhar porque há utentes que fazem demasiadas perguntas. A cinzenta sala de espera e o cubículo gabinete de atendimento daquele Serviço não fazem sentido, num espaço onde muitas pessoas festejam o nascimento dos seus familiares, em plena euforia, o que é natural, muitas vezes sem se aperceberem que mesmo ao lado estão grávidas em sofrimento, porque lamentavelmente não há uma separação justa do "trigo e do joio". Nos quartos apinham-se pessoas umas em cima das outras, porque não há qualquer tipo de contolo e nos corredores, também eles cheios, às vezes com crianças a correr, gritar e brincar sem que alguém ponha cobro à situação. É este o serviço de obstetrícia que temos, que merecia mais dignidade, colorido e valor. Se ao menos todas nós tivéssemos dinheiro para ir para uma clínica... Até lá, será que alguém de direito poderia dar uma espreitadela ao Serviço de Ostetrícia para comprovar tudo isto e tentar fazer alguma coisa? As futuras mães desta terra agradeciam, estou certa disso.