Tenho uma pessoa amiga que me contava um dia destes que no final da década de setenta, sendo morador na Rua das Cruzes, sempre que ia ao "Cinema João Jardim" utilizava o carro para o efeito. Confesso que achei esta história fantástica e bem elucidativa das alterações que a nossa Cidade viveu em 30 anos. Vem esta conversa a propósito das novas políticas de mobilidade que temos vindo a implementar no Funchal e que passam pela, restrição do estacionamento abusivo, pela promoção dos transportes públicos, mas também pela adopção dos chamados modos suaves, ou seja, os modos de transporte não poluentes (ex. marcha a pé, bicicleta, veículos eléctricos, Segways, etc.). Para além dos ganhos ambientais que são evidentes, nomeadamente em termos de emissões de Dióxido de Carbono, esta questão é também importante tendo em vista a adopção de práticas saudáveis por parte da população. Por outro lado, assistimos também no Funchal a um crescimento acentuado no número de fogos em Habitação Colectiva (leia-se apartamentos) o que significa que as áreas que as famílias têm ao seu dispor para que as suas crianças possam brincar são extremamente diminutas, daí a importância de novos espaços públicos que compensem esta nova realidade. Por todas estas razões a Câmara Municipal do Funchal desenvolveu um novo conceito para a Estrada Monumental. O projecto inicial do denominado Plano da Frente Mar, incluía a construção de quatro faixas de rodagem de forma a permitir uma melhor acessibilidade à Zona Hoteleira e a Câmara de Lobos. Entretanto, com a construção da Cota 200 e principalmente com a Rua João Paulo II, a questão da acessibilidade a esta zona ficou muito melhorada, sendo possível abdicar de 2 faixas de rodagem em detrimento da criação de novas Zonas Verdes, alargamento dos passeios, bem como de um corredor de bicicletas (Ciclovia). Tendo sido já concluído a primeira fase, entre a Rotunda Assicom e Praça Rotary (junto ao Forum Madeira), iremos proceder de imediato à abertura de concurso público para a segunda fase até a zona do Lido. Paralelamente a esta situação iremos lançar um outro concurso público para a concessão de um serviço de aluguer de bicicletas que inclui 4 pontos distintos na nossa cidade. Relembro também que os Horários do Funchal têm já em funcionamento o serviço TB (Transporte e Bicicleta) que permite que se coloque a bicicleta na traseira do autocarro, podendo assim vencer os arruamentos com inclinações elevadas. Por todas estas razões tenho a certeza que veremos cada vez mais pessoas a fazer actividade física na Estrada Monumental, mas acima de tudo julgo que é uma grande mais valia ter esta área turística devidamente requalificada em benefício da população do Funchal e dos turistas que nos visitam.

Bruno Pereira, Vice-presidente da CMF