Carlos Costa "É preciso agitar, não ficar parado, ter coragem, quer se trate de música ou de política". Esta mensagem extraída do livro: 'As voltas de um andarilho', de Viriato Teles, retrata a visão inconformista e revolucionária que sempre caracterizou o Zeca Afonso. A sua música apelava à mudança, criticava o situacionismo vigente, mostrava a realidade e intercedia na procura das soluções. À medida que nos distanciamos do 23 e Fevereiro de 1987 (data da sua morte) e ampulheta da História, faz o seu trabalho, torna-se evidente à vista de todos, o valor justo e incontornável do legado musical deixado por Zeca Afonso. Um homem da liberdade. Discreto na sua forma de ser, rigoroso na sua competência, exigente na sua firmeza apelava em muitas das suas canções ao "desassossego" por uma sociedade mais justa coerente e solidária. Costumava afirmar que: "neste País, somos tão pouco corajosos…temos e que ser gente, pá!". Na verdade o português, como dizia: "procura álibis para justificar o conformismo". A sua "insatisfação" era constante e usava a música, como forma de intervenção. A intemporalidade da sua obra discográfica deveria ser mais divulgada, sobretudo mais ouvida nas rádios e televisões ou ainda ensinada nas escolas do ensino básico, nomeadamente na disciplina de Educação Musical. No que depender de mim e com base nos meus conhecimentos, farei essa divulgação sempre que se justifique em actividades com os meus alunos. Os temas de Zeca Afonso, nunca foram tão actuais. O estado a que chegou o nosso País, leva-nos a revisitar muitos dos seus temas com destaque para: "enquanto há força", "o que faz falta" ou mesmo os "vampiros". Oiçam as músicas do Zeca Afonso.