Vem este texto a propósito do impacto, no tecido económico do Funchal, do projecto para o aterro. Temos três cenários possíveis. Primeiro, retiramos toda aquela matéria inerte e, como não temos sítio para colocá-la nem inteligência para reutilizá-la, exportamo-la (só um idiota não conhece a incrível cotação que este bem tem atingido nos mercados internacionais), causando um aumento sideral no Produto Interno Bruto Regional. Uma segunda hipótese prende-se com a solução defendida por galardoados e reconhecidos "professores" e geógrafos, ou seja, a transformação de toda a parte baixa do Funchal num imenso delta. Desta forma estaremos em condições de iniciar uma civilizaação semelhante a outras que floresceram ao redor de outros deltas, veja-se o Nilo (que oportunidade). Por último, resta-nos a solução avançada pelas autoridades regionais que, só por ter tido essa origem, deverá ser imediatamente posta de lado. Só um papalvo é que puderá pensar que 3000 turistas a desembarcar directamente no centro da cidade trarão benefícios, quem é que quer uma horda de selvagens com as suas criancinhas ramelentas e ranhosas a conspurcar as frondosas e imaculadas artérias funchalenses ? Se há coisa que os comerciantes locais não desejam é ter os seus estabelecimentos devassados por oportunistas endinheirados. Tudo o que almejam é admirar os transatlânticos fundeados na baía para que possam voltar a utilizar as suas barcaças, ressuscitando essa nobre arte da bombotagem. As saudades que eles não têm de desfraldar os imponentes toalhados de bordado Madeira ao sabor das ondas, de mostrar as cadeiras de vimee mantendo um frágil equilíbrio ou ocupar as suas criancinhas na singela actividade de mergulhança para resgatar os cêntimos caridosamente atirados pelos turistas deleitados que se acotovelam nos bordos dos garbosos navios.
Carlos Rodrigues, Gestor