A grande instabilidade que se vive na Tunísia e Egipto, dois relevantes concorrentes turísticos, está a gerar a procura por destinos alternativos. A Madeira, como já se faz notar, sairá beneficiada desta conjuntura em 2011, podendo o efeito positivo prolongar-se por tempo indeterminado, mas sempre efémero. É esta noção da efemeridade das alterações dos fluxos turísticos produzidas por forças exógenas aos nossos reais factores de competitividade que tem de pautar a orientação estratégica do nosso destino. Ou seja, termos a consciência que o crescimento resultante dos problemas dos outros, não elimina, por magia, os nossos problemas estruturais. Se nada for feito, eles permanecerão! Mais grave, poderão tornar-se num estímulo à soberba, de atribuirmos a nós próprios a responsabilidade pelo êxito, esquecendo-nos das causas das causas da nossa falta de competitividade. Se imperar a falta de humildade, a irresponsabilidade, o prazer alucinado pelo imediatismo, o desprezo pelo planeamento sério e o "desenrasca" como opção central do nosso pensamento estratégico, o "day after" deste efeito será um pesadelo. Temos de aproveitar esta onda positiva de desvio de fluxos turísticos do Médio Oriente, que poderá vir a proporcionar uma tranquilidade financeira favorável a uma reflexão não precipitada, para cogitarmos o destino de forma responsável e não condicionada aos velhos chavões da "qualidade" e da "excelência" completamente esvaziados de conteúdo programático e de padrão, e que, infelizmente, têm andado de braço dado com a dinâmica da desqualificação e perda de exotismo do destino Madeira. São estes chavões que têm encantado os adeptos do imediatismo gerador do "show off" do marketing noticioso regular, que poderão legitimar, depois das perversas autorizações de mega-hotéis descontextualizados de um destino boutique e dos time-sharing - primeiros produtores do esmagamento de preços que se assiste na actualidade - à machadada final no nosso turismo, com a recente aprovação de super-mega-hotéis e do conceito dos All-Inclusive's, atirando-nos definitivamente para uma massificação de clientes low cost a preços super low cost. Até quando vamos navegar ao sabor do vento, cada vez mais especializados na politica de medidas avulso, sempre escudadas no sofismo como arte de comentário aos indicadores turísticos?
João Welsh, Delegado Regional da Apavt