Entre uma crise política e uma morte lenta venha o Diabo e escolha. O Bloco de Esquerda escolheu apresentar, em Março, uma moção de censura ao governo Sócrates activando o comando da bomba atómica que, em boa verdade, lhe há-de rebentar nas mãos. Averbou, contudo, a vitória moral de ter ganho a corrida ao PCP. A moção de censura será, paradoxalmente, uma bênção para Sócrates. Por cá não há bênção que valha ao Partido Socialista. Nem a de Alberto João Jardim a Serrão quando aquele foi à Quinta Vigia "bater a pala" ao Presidente para ser Vice da Assembleia. Os equívocos são muitos e indisfarçáveis. Primeiro, Jacinto Serrão propôs e bem, às forças vivas da sociedade e aos restantes partidos da oposição, uma Plataforma Democrática para derrotar Jardim. Abrupta, unilateralmente e mal desmantelou-a. Agora foi contagiado pela "Febre do Coelho" e resolveu apresentar, também, uma moção de censura a Sócrates candidatando-se a Secretário-Geral do PS, no Congresso de Abril. É um acto de "coragem desesperada" para mostrar aos madeirenses que o seu PS-M está, agora, contra o PS de Sócrates sendo, por isso, confiável nas eleições regionais de Outubro. Pretendendo esvaziar o discurso de campanha de Alberto João Jardim, Serrão poderá estar também a esvaziar, ainda mais, o seu. Não sendo certo que esta manobra venha a dar votos a verdade é que já começou a fazer sangrar internamente. Bernardo Trindade, Presidente da Comissão Regional e mentor do seu regresso aos comandos do PS-M ter-se-á oposto à sua candidatura nacional. Façam o que fizerem desejo que possam recuperar a confiança do eleitorado perdido em 2007. Veremos as consequências!

Jaime Leandro, Técnico Superior do Tribunal de Contas