Esta semana a actividade turística portuguesa está de olhos postos na Bolsa de Turismo de Lisboa. Trata-se da maior feira do sector no nosso País e é com alguma satisfação que verificamos que, ano após ano, se torna mais profissionalizada, trazendo para Portugal novas tecnologias e implementando novas técnicas de marketing e de promoção que criam valor no sector. Num ano de retoma, na opinião de alguns, é fácil falar de Turismo em Portugal, pensarão outros. Os números governamentais apontam para subidas significativas de receitas e de hóspedes nos hotéis. Não tem sido essa a opinião dos empresários da hotelaria e das viagens, que refutam esses números globais, não tanto os desmentindo, mas antes mostrando-se surpreendidos porque eles surgem num momento em que muitos se queixam da falta de rentabilidade das empresas. Daí que tenha algumas dificuldades em seguir as estatísticas e/ou em aceitar as opiniões do sector empresarial, que refuta as boas notícias governamentais. Contudo, a linguagem fria das estatísticas é que motiva os analistas e perante este cenário fico procurando justiça que é sempre muito difícil, quando não se dispõe de todos os dados para prosseguir o juízo Mesmo assim, arrisco em dizer que o principal desafio (e problema de difícil resolução) que hoje se coloca às empresas de turismo em Portugal é a falta de saúde financeira, nomeadamente os excessivos compromissos para com a banca. Ontem numa conferência nacional realizada à margem da Bolsa de Turismo, em Lisboa, conseguiu-se falar com mais abertura sobre algumas das questões que hoje complicam o negócio turístico. Acreditamos que é por essa via que a discussão e o debate devem seguir, na busca de soluções mais equilibradas e na criação de uma mentalidade mais aberta e menos corporativista, sobretudo quando se abordam questões em que os interlocutores têm pontos de vista ou opiniões formadas e consolidadas de sinais. A verdade é que as novas técnicas de marketing ensinam-nos hoje muita coisa, que resulta das boas práticas de outros, dos estudos que desenvolveram, dos testes que executaram e das propostas que foram capazes de configurar tendo em conta cenários diferentes. Esconder as situações ou passar ao lado delas, pode ser uma distracção fatal. Num momento em que o Turismo da Madeira se reencontra, com esperança e menos preocupações, é bom que não se percam de vista as análises que alguns especialistas fizeram há pouco tempo e que apontam interessantes linhas de rumo. E rápido... Porque se é verdade que muitos hotéis irão encher neste Verão... o certo é que na maioria deles o Inverno de 2011-12 está perspectivas sombrias. Temos de pensar melhor, trabalhar mais e acabar com esta sazonalidade!